Skip to content

Livro O Patriarcado de Lisboa >>> Vários Patriarcas, por vezes contrariados, extravasaram o papel de bispo de Lisboa, diz D. Manuel Clemente

Março 1, 2017

patriarcadolivroapresentacaooutroaspetodasala

Aspeto parcial da sala, quando falava o Prof. Jorge Bacela Gouveia. Na mesa, dda esquerda para a direita, Luís Salgado de Matos, José Vera Jardim e D. Manuel Clemente

Na apresentação do livro O Patriarcado de Lisboa, D. Manuel Clemente, historiador e Patriarca, afirmou que a obra defendia uma tese que merecia exame: o Patriarcado de Lisboa era mais do que uma simples diocese. E enumerou alguns dos seus antecessores que, por vezes contra sua vontade própria, extravasaram o papel de bispo de Lisboa para serem Patriarcas de Portugal. Jorge Bacelar Gouveia, catedrático da Nova Direito, salientou a interdisciplinaridade da obra e homenageou o seu autor.

D.Manuel Clemente, Cardeal Patriarca, e Jorge Bacelar Gouveia, catedrático da Nova Direito, apresentaram o livro O Patriarcado de Portugal da autoria de Luís Salgado de Matos no dia 20 de fevereiro, às 18h30. A sessão foi presidida pelo presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, Dr. José Vera Jardim. Após as duas comunicações haverá debate aberto ao público. A entrada era livre. A apresentação decorreu no auditório A da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, no campus de Campolide.Luís Salgado de Matos é o responsável do blog Estado e Igreja.

Relato da sessão

A sessão começou à hora marcada. A sala esta mais do que composta.  Na assistência, onde não se viam alunos, destacavam-se pessoas que dispensam apresentação, entre os quais (e referimos por ordem alfabética do primeiro nome) o Dr. Abdool Kharim Vakhil, o Dr. Acácio Catarino, o Padre Agostinho Jardim Gonçalves, D. António Montes Moreira, o Doutor Carlos Gaspar, o jornalista Carlos Veiga Pereira,  a Dr.ª Catarina Figueiredo Cardoso,  o Eng.º Francisco Van Zeller, a Doutora Helena Pereira de Melo, o Dr. Jaime Gama, o Doutor José Eduardo Franco, o Doutor José Fontes, o Dr. José Leitão, o Conselheiro José de Sousa e Brito, o Doutor Manuel Braga da Cruz, a Dr.ª Maria de Belém Roseira, Maria João Avillez, a Doutora Miriam Halpern Pereira,  o Dr. Nazim Ahmad, a Doutora Teresa Clímaco Leitão, o Dr. Timóteo Cavaco, além de outras do meio universitário, a seguir referidos, com os Doutores Ana Leal de Faria e Paulo Fontes. Viam-se na sala vários órgãos de comunicação social; entre eles a Ecclesia  e a Rádio Renascença.

joseverajardim O presidente da sessão, José Vera Jardim, declarou a abrir não ser frequentador de apresentações de livros mas que supunha não ser usual que elas tivessem um presidente: havia o ou os apresentadores e o autor. Na apresentação do livro do «seu amigo Luís», esta justificava-se pela decisão de haver debate. Informou que dois apresentadores concordavam com isso. Depois de informar a sala dos tempos de exposição acordados com os apresentadores, deu a palavra a

jorgebacelargouveiaJorge Bacelar Gouveia começou por dizer que apresentaria o último livro de Luís Salgado de Matos, livro que este não seria certamente o último da sua autoria. Em nome do Conselho Científico da Nova Direito saudou o Sr. Cardeal Patriarca e o Dr. José Vera Jardim, salientado que se lhe deve a Lei da Liberdade Religiosa. A sua amizade pelo autor poderia gerar parcialidade, preveniu.  Agradeceu ao Reitor da Universidade Nova, representado pelo Prof. José Esteves Pereira, e à direção da Nova Direito. Falará não só do livro mas também do autor.  Referiu o interesse da Faculdade pelas relações da sociedade com a Religião:  promoveu «Estado, Direito, Religião», ou direito da religião, e o CEDIS, o centro de investigação, estuda «Direito, Religião. Sociedade». Entre outros projetos nesta área, prepara uma edição anotada da Lei da Liberdade Religiosa, para a qual pediu o apoio do Dr. J. Vera Jardim que, em aparte bem humorado, pediu calma, pois preparam alguma alterações à Lei. Este livro enquadra-se no ADN  da Nova Direito, retomou Bacelar Gouveia. O livro usa os registos da história, do direito, da sociologia, que hoje são indispensáveis na nova conceção do ensino do Direito, de que a Nova Direito foi pioneira. Afirmou então que ia falar sobre o autor do livro apresentado. Disse que o autor tinha sido há pouco jubilado (o autor protestou, mas a gravação só apanhou uns sussurros) e assim revelava a idade dele. Afirmou depois que o autor é bem conhecido entre nós e que esta sessão era também uma homenagem que lhe era prestada. Salientou a formação académica diversificada do autor: Direito, Sociologia. Isso explica boa parte do seu êxito. O seu percurso tem sido poliédrico. Até foi presidente do Instituto de Cinema. Ultimamente todos nos divertimos com os seus posts no blogue O Economista Português. Elogiou a capacidade de Luís Salgado de Matos se reinventar para o bem de todos. Disse a seguir que O Patriarcado de Portugal era um livro curto, 132 páginas.  É um livro pequeno mas a sua qualidade está na razão inversa da quantidade de palavras.  Leu os títulos dos capítulos:  O Patriarcado na História: de Abraão aos nossos dias; o Patriarcado de Lisboa como hipótese; o Patriarcado julgado pelos historiadores portugueses; O Patriarcado de Portugal em Lisboa, do Antigo Regime à atualidade, passando pela Monarquia liberal, a 1ª República e o Estado Novo. Classificou o título de «certeiro» e salientou a referência a Portugal no título, como qualificativo do seu Patriarcado: resume a tese do livro.  Refere depois o subtítulo: «três séculos de uma instituição lisboeta, nacional e católica» (1716-2016)». Salienta o seu pendor historiográfico e refere que o livro foi publicado no contexto da comemoração do tricentenário do Patriarcado. A escrita é veloz, ritmada, sintética. Volta de novo ao método. Começa pelo registo histórico-canónica sobre o sentido do Patriarca. Mas o principal do livro é a relação do Patriarcado com o Estado.  Leu-o com agrado no dia de Natal. «Dia muito apropriado», comentou o autor em aparte. Bacelar Gouveia qualificou o livro de multidisciplinar e, entre as ciências que o estruturam, referiu a teologia e a história («o pé do autor fugiu-lhe para historiador»). O livro é uma reflexão pessoal e sobretudo original. Já conhecíamos a sua originalidade devido à sua tese de doutoramento, sobre as relações entre o Estado e a Igreja.  O Doutor Salgado de Matos considera-se um cientista da política mas aqui puxou-lhe o pé para a história. Referiu a ligação entre o Patriarcado e a força do Estado Português, assim como a sua afirmação no mundo. Salientou os dados «impressionantes» sobre as dioceses criadas a partir do Patriarcado. O livro mostra a «impressionante» capacidade de adaptação do Patriarcado, a sua capacidade de se autorregenerar. Patriarcas houve que num «golpe de asa» mudaram o destino de Portugal. Recomendou que comprassem e lessem o livro. Espera que gostem tanto de o ler como ele gostou, disse a concluir.

dmanuelclementeInterveio a seguir o Sr. D. Manuel Clemente.  Começou por afirmar que se associava com muito gosto à apresentação deste livro, que contém uma tese  e uma tese é isso mesmo, defensável ou não defensável, conforme se queira entender mas, esclareceu, O Patriarcado de Portugal defendia «uma tese que merece atenção».  O Patriarcado de Portugal. A sua exposição desdobrar-se-ia em três tópicos: Patriarcado em Portugal, Patriarcado em Lisboa, Patriarcado de Portugal. Este último é o tema do livro.  Começa a analisar o Patriarcado em Portugal: a primeira vez que se pensou num Patriarcado para Lisboa, ligado às missões e com um português como titular foi em 1630 quando Filipe IV de Espanha, III de Portugal, admitiu pedir para Lisboa um Patriarcado das Índias Orientais, título que o arcebispo de Goa e Damão ainda hoje usa.  O Patriarca seria D. Francisco de Bragança. A ideia não foi para a frente porque os bispos portugueses se lhe opuserem por considerarem que o Patriarca se tornaria um superbispo, que os controlasse, não no Oriente mas aqui. O principal opositor foi D. Rodrigo da Cunha, arcebispo de Braga, e que  não queria ver diminuídas as suas prerrogativas de arcebispo primaz.Os outros bispos também se opunham.  Dez anos depois será o principal implicado eclesiástico na revolução do dia 1º de dezembro de 1640.  Não sei se em 1640 D. Rodrigo da Cunha ainda se oporia ao Patriarcado, acrescentou. A segunda vez que se pensou num Patriarcado foi no reinado de D. Afonso VI.  Desta vez, o Patriarca continuaria a ser português mas passaria a exercer jurisdição sobre o Portugal europeu, além de todo o imenso território nacional, que incluía o Padroado português.  Esta segunda ocorrência é precipitada porque quando morre D. Francisco Sottomayor Portugal fica sem nenhum bispo. D. Manuel lembra que depois de 1640 Filipe IV de Espanha continua a considerar-se rei legítimo de Portugal; não fora uma conjuntura internacional única, com Madrid a enfrentar guerras na Catalunha e nos Países Baixos, «não sei o que teria sido o futuro de Portugal, talvez o da Catalunha». Os bispos iam morrendo. Só em 1688 se restabeleceu a nomeação normal dos prelados. Entre 1640 e 1688, quando vagava um bispado, os Habsburgos espanhóis propunham um nome ao Papa, os Braganças portugueses propunham outro, e o Papa não nomeava nem um nem outro. Foi um período longo, quase trinta anos. Julga ser uma situação única na história da Igreja. A Igreja foi vivendo sem bispos, o que «como vêem é uma possibilidade», comentou D. Manuel no aparte com humor. Surge então a ideia de um superior da Igreja em Portugal, com funções de Papa, para a governar enquanto estivessem interrompidas as comunicações com a corte de Roma. Lê um texto da época que atribui tal propósito a Sebastião César de Meneses.

D.Manuel analisa de seguida o Patriarcado de Lisboa. Estas ideias de um Patriarcado de Portugal eram conhecidas em Roma e suscitavam fortes resistências. D. João V pedira-o desde o início do reinado. O Rei pretendera sempre valorizar a capela real. Evoca o Papa Clemente XI Albani, senhor de um longo pontificado de vinte anos, que a 7 de novembro de 1716 nos envia a bula áurea de estabelecimento do Patriarcado. 1716 é «um momento excecional, antes ou depois D. João V não teria obtido o que pretendia devido à conjunção das prevenções romanas contra o Patriarcado e da oposição das outras nações católicas, mais poderosas, que se rejeitavam que Portugal fosse elevado com a concessão da dignidade patriarcal. Em 1716, ocorre uma forte avançada turca no Mediterrâneo oriental, que ameaça a própria existência da República de Veneza. O Papa Clemente XI pede às nações cristãs apoio para sobreviver ao Turco, mas elas estão mais ocupadas nos seus conflitos do que preocupadas com a ameaça otomana. É a época da Guerra da Sucessão de Espanha, na qual Portugal aliás também participou, pela parte derrotada, a austríaca. Não havia disponibilidade europeia para combater o Turco. D. João V, mesmo antes da batalha de Matapão (1717), já auxiliara o Papa. D. João V foi o único a ajudar o Papa. O Sr. D. Manuel afirma que julga ter sido esta a argumentação decisiva a favor da instituição do Patriarcado; dá como argumento que a embaixada do marquês de Fontes estava em Roma desde 1713, sem conseguir nada, e depois do auxílio português para pôr termo ao cerco otomano de Corfu, são satisfeitos todos os pedidos portugueses. A seguir à ajuda portuguesa contra o Turco, nem o Rei Cristianíssimo de França, nem os Reis Católicos de Espanha, nem as Majestades Apostólicas da Áustria estavam em condições de reclamar junto do Papa contra a pretensão portuguesa. Se não fosse esta circunstância singular, ou não havia Patriarcado em Lisboa ou teria que haver não só em Lisboa mas também em Madrid, em Paris, em Viena de Áustria. A Lisboa da época, que ia dos Restauradores ao Tejo e do Bairro Alto aos bairros a leste da Sé, é dividida em duas dioceses: a de Lisboa oriental, a leste da Cerca Moura, abrangendo a atual Sé Catedral, arcebispado, e a ocidental, a oeste, Patriarcado. Devemos relativizar as dimensões citadinas, acrescentou. As duas arquidioceses foram fundidas em 1740. D. João V cumulará o Patriarcado de privilégios, que o Prof. Salgado de Matos regista, e que na realidade o colocam muito à frente das outras dioceses portuguesas, e em particular da arquidiocese primaz.

D.Manuel expõe por fim o seu terceiro tema, o Patriarcado de Portugal, que é o «lado mais denso» do «ensaio, do trabalho do Prof. Salgado de Matos». A relação do Patriarcado com as missões está na bula de criação. Menciona o mapa do século XVIII representado na capa do livro e refere que há outro, mais comum, do pontificado de D. Tomás de Almeida que refere também o Patriarcado de Portugal, a coroar arcebispado de Lisboa oriental, arcebispado de Lisboa ocidental. É a «representação do Portugal que há de ser». A contracapa do livro resume a tese do livro e D. Manuel lê-a: «Luís Salgado de Matos tem estudado a Igreja em Portugal e no mundo. Para ele, a organização política estrutura-se em três instituições articuladas: a Igreja que é a instituição simbólica por excelência, cabendo em Portugal esse papel ao catolicismo; as Forças Armadas, que são a instituição da segurança; e o Estado, que é a instituição da reprodução biológica e económica». O Patriarcado de Portugal é a representação dessa dimensão simbólica.  D. Manuel propõe-se averiguar se os Patriarcas seus antecessores no Patriarcado, e já é o 17º,  agiram de modo a conformarem-se com esta tese e exercerem ações que excedem a de bispo de Lisboa e portanto são Patriarcas de Portugal.

D.Manuel começa pelo primeiro Patriarca, D. Tomás de Almeida; diz que merece algum estudo como alter ego eclesiástico de D. João V era um homem de vistas largas; tinha planos urbanísticos para o Porto que teriam originado na praça dos Aliados uma plaza mayor espanhola. Não admira que D. João V tenha encontrado nele alguma sintonia, comenta D. Manuel. Parece que houve conflitos entre os dois, apesar de morarem paredes meias, pois a Patriarcal era no Paço da Ribeira. Por isto, pelo modo como era tratado por embaixadores estrangeiros, D. Tomás foi um Patriarca de Portugal.

Interroga-se depois se com o triunfo definitivo do Liberalismo monárquico, em 1834, o Patriarca de Lisboa  preenche essas funções supradiocesanas. «Em parte sim», responde D. Manuel, «até porque os outros bispos foram demitidos das suas sés» pelo Imperador do Brasil que governava Portugal em nome de sua filha, a Sr.ª D. Maria da Glória. O Patriarca D. Patrício da Silva, que tinha «muito boa boca para qualquer tipo de ementa»,   já se tinha dado bem com o primeiro constitucionalismo, tinha-se dado bem com o «Absolutismo», voltou a dar-se bem com os liberais do regente em nome de D. Maria II. D. Patrício da Silva representava uma certa conceção de Igreja: as formas do Estado passam, a Igreja fica; foi um Patriarca de Portugal? «Enfim, enfim»

D.Manuel interroga-se para uma fase posterior do Liberalismo. D. António Mendes Belo foi mais do que o bispo de Lisboa? «De certa maneira foi». «Mas tinha concorrentes sérios»: D. Manuel Vieira de Matos na arquidiocese de Braga não lhe fica atrás em militância ou na insurgência. Mas Belo governara várias dioceses na Monarquia «constitucional», conhecia quase todos os políticos, que como ele tinham sido alunos da Universidade de Coimbra, tinha uma envergadura única, foi ele que convocou os outros bispos para  a reunião de 10 de junho de 1913 que aprovou o Apelo de Santarém, que continuou a ser a base das relações da Igreja com o Estado pelo século XX fora. Podemos dizer que foi Patriarca de Portugal.

No Estado Novo, o Cardeal Cerejeira, por razões políticas e também pessoais, é o Patriarca que mais se aproxima do tipo desenhado em O Patriarcado de Portugal. Elogia o estudo biográfico escrito por Luís Salgado de Matos sobre o Cardeal Cerejeira, publicado na atualização do Dicionário de História der Portugal, do Prof. Joel Serrão dirigida pelos Doutores Maria Filomena Mónica e António Barreto: continua a ser o «melhor trabalho publicado» sobre o Cardeal Cerejeira, «muito amplo, circunstanciado». Sugere a sua edição autónoma. Em letra mais legível, fica como uma «obra de referência», complementada pelos estudos do Prof. Manuel Braga da Cruz. É Cerejeira que como Patriarca extravasa de modo mais expressivo a ação de simples bispo de Lisboa. «De tal maneira que apesar dos esforços dos seus sucessores para demonstrarem que são apenas os bispos de Lisboa, não conseguiram. É isso que são, é isso que querem ser». D. António Ribeiro vai além de bispo de Lisboa, sobretudo em 1974, 1975, 1976.  D. Manuel proferiu então palavras conclusivas, lamentando ter excedido o tempo, mas não conseguiu com mais brevidade comentar as teses «densas» do ensaio «por vezes brilhante do Prof. Salgado de Matos»

D. Manuel Clemente proferiu uma maravilhosa lição universitária, plena de novidades, com leveza e encanto que deixou os ouvintes a pedir por mais. Estado e Igreja elçite o voto de que o texto da lição seja publicado.

luissalgadodematosfotoO Dr. José Vera Jardim deu então a palavra ao autor do livro. Luís Salgado de Matos começou os agradecimentos pelo dono da casa, o Prof. Bacelar Gouveia. Estendeu-os ao Reitor, Prof. Rendas, e à direção da Nova Direito. Salientou a presença do Prof. José Esteves Pereira, que fora um membro essencial  do júri da sua agregação. Aliás, depois da sua suposta jubilação, era esse o título universitário que usava: «agregado em Instituições e Processos Políticos» pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa. A propósito sinalizou que o Prof. Bacelar Gouveia cometera uma única inexatidão na simpática apresentação quando dele dissera: o autor fora jubilado. O Estado tinha tentado impedi-lo de trabalhar, mas pelos vistos não conseguira.  O autor agradeceu a seguir às pessoas que o ajudaram a produzir materialmente O Patriarcado de Lisboa: começou pela Dr.ª Catarina Figueiredo Cardoso. Passou ao gráfico João Segurado, o diretor gráfico da edição: sem ele, o livro não existira; foi Providencial, por certo contra a vontade dele; foi o João Segurado que produziu a ideia extraordinária da capa em azul Sabóia, uma cor maravilhosa que o autor nunca teria tido a coragem de escolher; essa cor sintetiza o republicano assanhado e o monárquico liberal, o ateu convencido e o católico que vai a pé a Fátima. Tinha planeado agradecer à Dr.ª Maria Teresa Arsénio Nunes, mas saltou, pois não a viu na sala.   Passou depois  aos que o tinham ajudado na produção inteletual d’ O Patriarcado de Portugal. O primeiro era o Sr. D. Manuel Clemente: estimulara-o a um projeto de investigação sobre o papel do Cardeal Patriarca nas relações entre o Estado e a Igreja em Portugal no século XX, que enquanto investigador principal do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa conduzira com o Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR), representado sobretudo pelo Prof. António Matos Ferreira. Esse estudo levara-o a pesquisar a instituição patriarcal. Mais recentemente, o Sr. D. Manuel lera uma versão inicial do presente livro, que era cerca de dois terços em tamanho do agora publicado.  As suas críticas levaram a uma profunda remodelação, apesar de nem sempre ter tido ocasião de lhes responder. Por fim, o livro nasceu de um desafio do CEHR. Nomeou depois outros dois amigos aos quais agradece no livro. O Doutor Paulo Fontes, atual presidente do CEHR, aliás presente na sessão, que lhe chamou a atenção para o inenarrável português em que estava escrita essa versão inicial. A Doutora Ana Leal de Faria mereceu-lhe também uma referência especial: é uma historiadora muito competente nos séculos XVII e XVIII; ora o autor tem no seu programa de estudos a Restauração, para identificar «as causas da decadência de Portugal», mas não se sente seguro ao escrever sobre o período anterior a 1820. A Doutora Ana Leal de Faria, também presente na sessão, além de lhe corrigir uns erros de pormenor constantes da primeira versão, afirmou-lhe que o texto merecia publicação. Sem estas palavras, O Patriarcado de Portugal teria ficado no disco rígido, por certo perdido para sempre, pois mudou agora de computador. Tendo decidido escrever sobre o Patriarcado, o autor seguiu a máxima de Max Weber: tentar compreender o que estava nas cabeças de D. João V e do Papa Clemente XI quando instituíram o Patriarcado de Portugal. Foi assim arremetido para o estudo do Patriarcado nos primeiros tempos do cristianismo, e em breve estava a refletir sobre o Credo, que antes repetira, sem nunca o equacionar. É a primeira parte do livro, Depois estudou o que a historiografia portuguesa escrevera sobre o Patriarcado de Portugal, para averiguar se ele era relevante na vida do nosso país. Era relevante, todos os historiadores reputados o citavam nas suas histórias gerais de Portugal, mas citavam-no sem o terem estudado, copiando-se uns aos outros, em vez de escreverem: não tivemos tempo de estudar o Patriarcado.  Foi o segundo capítulo. Passou depois a descrever a traços largos a adaptação institucional do Patriarcado ao longo dos seus trezentos anos, esperando demonstrar a sua tese: o Patriarcado era mais do que a diocese de Lisboa, pois estabelecia um nexo com Portugal como país. Por fim explicitou conclusões futurantes: o Patriarcado eram as missões e as missões eram o mais importante lado universal da nossa atividade como nação, era a criação do homem universal. Se o nosso país abandonasse o objetivo da criação do homem universal, o seu futuro não estaria assegurado.  Luís Salgado de Matos pediu então ao presidente da sessão que o autorizasse a dar um cunho mais pessoal às suas reflexões. Quando começou a informar os seus amigos que escrevera um livro sobre o Patriarcado, um número significativo deles comentou: não esperava isto de ti; que julgas encontrar em semelhante tema. Os comentários eram amenos, se não tinham deixado de ser amigos, mas eram incontornáveis: significavam que, para os comentadores seus amigos, Luís Salgado de Matos fora bom menino, seguira sempre o sentido da história, mas agora enganava-se no caminho, parecia estar com um toque de Trump. O autor considera estes comentários inadequados. Lembram-lhe uns dizeres da sua filha que por volta dos cinco anos apontava para um sofá vazio e garantia «está ali o menino Pedro». Não estava, mas ela acreditava que estava. O orador passa a explicitar a anterior comparação. O Patriarcado foi acompanhado de realidades lamentáveis, como a Inquisição, mas nada nos autoriza a crer que podemos rejeitar o mal na nossa identidade e tornarmo-nos bons só pelo dizer? É suficiente dizermos que somos bons para na verdade sermos bons? O autor confessou que devido às vicissitudes da história, passou parte da sua vida numa antiga colónia e aí ganhou a confiança de elementos dos partidos nacionalistas que então tinham acabado de obter a independência. Assim passou a perceber como eles viam os portugueses e o rico e poderoso aliado da NATO e a União Europeia. Hoje, os dirigentes da União Europeia e os seus media apresentam-se com a incarnação do bem e do direito no mundo, ao qual sem cessar dão lições de bom comportamento. Ainda há dias vimos um governante de um insignificante país europeu passar-se a si mesmo um certificado de bondade no campo da imigração: os seus «valores» não lhe permitiriam suspender a imigração, mesmo que fosse só por dois meses. Mas esse generoso e bom país só autoriza uma imigração a contagotas!!! Autoriza o suficiente para se dar boa consciência e nada desenvolve para resolver os problemas reais. Se alguém o ouvir nas ruas de África ou nos mercados da Ásia, não o levará a sério. Para a rua africana ou asiática, as declarações de autobondade dos europeus eram simples propaganda, na qual não acreditavam.  Para os seus amigos africanos, todo e qualquer português individualmente considerado, reacionário ou revolucionário, louro ou moreno,  era corresponsável pelas ações de Portugal, por todas as suas ações, boas ou más. Por isso, é agora capaz de ver com os olhos dos africanos as declarações europeias sobre a nossa bondade e o nosso respeito dos direitos humanos: não acreditam, foram dominados e napalmizados. Para eles, as declarações europeias de autobondade são como as fantasias da criança sobre o menino Pedro. Luís Salgado de Matos esclareceu que não estava com um ataque de má consciência: a escravatura só fora possível porque os chefes africanos levavam aos seus súbditos aos portos negreiros da costa para os venderem como escravos pois o colonizador não dispunha de administração local em África. Não há uma geografia do mal, como não há uma geografia do bem. O olhar do outro (o africano dos movimentos de libertação nacionalistas) obriga-nos a aceitar o princípio da identidade.  Não somos livres de escolher no nosso passado, como o pardal escolhe entre o milho painço e o veneno. Mas não podemos atribuir às nossas palavras um valor performativo da nossa situação moral; dizemos que somos bons, e por dizermos isso somos bons. O olhar do outro obriga-nos a ser cuidadosos sobre as nossas liberdades de linguagem e seus efeitos morais.  Luís Salgado de Matos anunciou que proferiria frases loucas: «nunca iria aos autos da Inquisição, O cheiro a carne assada incomoda-me». Mas esta frase é destituída de sentido, o seu autor não é livre de ir aos autos da Inquisição, pois estes não sobreviveram ao século XVIII e o autor da frase nasceu no século XX. O olhar do outro obriga-nos a ser prudentes sobre o valor performativo da linguagem. Este valor ocorre na eucaristia, com certos quindins no batismo. Não é lícito dizermos: «sou português e a herança da Inquisição não mancha a minha bondade pessoal» (quem diz Inquisição diz guerra, aspetos maus da colonização, etc).  O orador esclareceu que o seu livro era identitário: o seu autor era lisboeta, católico e português como o Patriarcado. Acrescentou que convém termos em conta o seguinte: não posso ter nascido não português. Nem não lisboeta. Nem não católico. Estas frases são suscetíveis de ser ditas, com as devidas adaptações, por qualquer das pessoas que está na sala. Dito de outro modo: posso tudo, mas isso não posso. Esta aporia liquida a lógica prometeica que diz: tudo é possível. O orador alcançava por fim a conclusão. Cada vez há mais possíveis, e ainda bem, mas nem tudo é possível. O tema do Patriarcado levara-o a reequacionar o Credo, a repensar o passado e o futuro de Portugal. Para uma concha vazia, não estava mal.

Pelas 19h40, o Dr. José Vera Jardim abriu o período de debate.  Não houve logo inscrições da assistência. Luís Salgado de Matos pediu para dizer que o Sr. Patriarca não era perturbado com mais pedidos de intervenção, porque o país estava calmo. Se houvesse agitação, seria chamado a intervir. Em 1971 ou 1972, o Sr. D. António Ribeiro, para cortar com a prática do Cardeal Cerejeira, que era presidente vitalício da Conferência Episcopal, rejeitou ser eleito seu presidente. Foi eleito D. Manuel de Almeida Trindade, bispo de Aveiro, uma diocese pequena mas modernizadora e bem organizada. Quando veio o PREC, os militares só quiseram tratar com o Patriarca e D. António Ribeiro teve que esquecer as suas juras de ser apenas bispo de Lisboa e o padre minhoto agiu como Patriarca de Portugal, talvez contrariado mas sem hesitação. Esta assunção de funções não se devia  a nenhuma debilidade de D. Manuel Trindade, que o orador ainda conheceu, e era um homem muito capaz.

Luís Salgado de Matos pediu ainda para complementar a brilhante lição do Sr. Patriarca num ponto singular: devia-se ao Patriarcado a existência de assistência religiosa às Forças Armadas. Estas eram, desde a Restauração, de matriz maçónica (se não era assim, imitavam muito bem) e, exceto em circunstâncias muito excecionais, tinham a assistência religiosa por dispensável. O Patriarca do final do século XVIII, os cardeais Mendes Belo na Primeira Guerra Mundial e Cerejeira na Guerra em África tinha obtido a consagração estatal da assistência religiosa, então apoiada pela instituição castrense.

Luís Salgado de Matos exemplificou a dimensão nacional do Patriarca com António Mendes Belo, hoje esquecido: desenvolvia ao mesmo tempo intrigas manuelistas contra a República, divergindo da vontade dos Papas Bento XV e Pio XI, e, como era Cardeal da Igreja romana, defendia o bom relacionamento da Igreja com o Estado.

Luís Salgado de Matos chamou ainda a atenção para um aspeto em geral ignorado ou esquecido que permite compreender melhor o Patriarcado de Portugal: há um momento da vida política de qualquer país em que a religião e o Estado se unem. Pediu para não ser mal compreendido: foi educado na separação do Estado e da Igreja e é assim que se sente bem. O Sr. D. Manuel Clemente foi escolhido para Patriarca sem a menor intervenção do Estado e é isso o adequado.  Para testemunhar os seus sentimentos separatistas, permitiu-se dar um fato da sua vida pessoal: há uns anos, uma filha sua recebeu aulas de Religião e Moral Católicas numa escola pública em Munique, na Baviera, mas essas aulas, ao contrário das nossas, não eram uma exemplificação da visão cristã do mundo, eram pura e simplesmente o catecismo. Essa prática pareceu-lhe tão estranha que, quando lha contaram, não acreditou. O catecismo dado numa escola pública, paga pelos contribuintes, parecia-lhe um procedimento inaceitável e destinado a dar um triste resultado, por desrespeitar a separação entre o Estado e a Igreja. Para sinalizar essa união entre o Estado e as Igrejas, deu o exemplo, que qualificou de insuspeito da ação do Presidente Franklin Delano Roosevelt na Segunda Guerra Mundial: para vencer a Alemanha nazi e a Itália fascista, era necessário organizar a assistência religiosa às forças armadas dos Estados Unidos. O maçon e protestante Roosevelt, com a anuência do Papa Pio XII, nomeou então o Cardeal Spellman, chefe desse serviço – e o alto dignitário católico começou a contratar não só sacerdotes católicos, mas também pastores protestantes, rabis e muftis. Neste caso, a unidade Estado-Igreja alargou-se à instituição castrense.  Resulta essa unidade de as três dimensões do homem – a simbólica, a securitária e a reprodutiva – exigirem a unidade o que é mais visível em momentos de crise.  O Patriarcado de Portugal releva deste paradigma da unidade da organização política.

Uma pergunta da assistência inquiriu se os pedidos de intervenção do público dirigidos ao Sr. Patriarca acentuavam o aspeto político. O Sr. D. Manuel Clemente confirmou que acentuavam esse aspeto e sugeriu que a procura do público ia para um Patriarca de Portugal, mais interventivo do que o bispo de Lisboa. Porém, o Concílio do Vaticano II deixara a Igreja apenas com duas estruturas, o Papa universal, e a diocese local. Donde o lugar problemático do Patriarcado de Portugal.

O Sr. D. Manuel Clemente referiu ainda Patriarcas de Portugal mais interventores no passado. Por vezes, era difícil distinguir entre ambos. O Cardeal D. Inácio do Nascimento de Morais Cardoso  pareceria ter sido pouco apreciado em vida mas o seu funeral reuniu em Lisboa uma multidão imensa.

O Dr. José Vera Jardim encerrou a sessão à hora anunciada, sem que houvesse perguntas por responder.

*

Para visionar a gravação das intervenções na apresentação  de “O Patriarcado de Portugal”, de Luís Salgado de Matos, na NOVA Direito, 20.2.2017, queira clicar nos links abaixo

José Vera Jardim

https://www.youtube.com/watch?v=w–i4FblUtA&t=3s

Jorge Bacelar Gouveia

https://www.youtube.com/watch?v=g4TJrmELLKA

D.Manuel Clemente

https://www.youtube.com/watch?v=6qUZ3Y5L6p0&t=4s

Luís Salgado de Matos

https://www.youtube.com/watch?v=KJ6kbVE1yqU&t=4s

*

Uma reportagem sobre a apresentação está disponível na página da Nova Direito (a ela fomos buscar algumas das fotos do presente post).

http://www.fd.unl.pt/Detalhe.asp?id=11409

Anúncios

«Estado e Igreja» dará em breve um relato da sessão de apresentação do livro «O Patriarcado de Portugal», na qual intervieram o Sr. D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca, e o Prof. Jorge Bacelar Gouveia.

Fevereiro 23, 2017

Como comprar o livro «O Patriarcado de Portugal»

Fevereiro 23, 2017

Para comprar o livro O Patriarcado de Portugal  ao preço especial de apresentação

  • Transfira 10 (dez) euros para o iban PT50003600659910007230889por multibanco ou homebanking. Comunique-nos para o endereço eletrónico abaixo o endereço físico para que devemos enviar o(s) seu(s) exemplar(es). Se o nome da conta bancária (que aparecerá na nossa conta) não coincidir com o nome do envio, por favor comunique-nos para onde enviamos o exemplar correspondente à transferência.
  • Envie um cheque no valor de 10 (dez) euros para a morada abaixo. Sff, em folha à parte indiqueem escrita bem legível  o endereço físico em que pretende receber o seu exemplar d’ O Patriarcado de Portugal.

 

Endereços

salgadodematoseditor@gmail.com

salgado.matos@gmail.com

Av. Miguel Bombarda, 96, 2º Dtº 1050-167 Lisboa

As encomendas serão atendidas por ordem de chegada e enquanto houver exemplares em stock. As encomendas serão expedidas via CTT nos melhores prazos.

*

O livro O Patriarcado de Portugal apenas está à venda diretamente pelo editor. Porquê?

O lançamento de O Patriarcado de Lisboa  vai de mão dada com a experiência de uma nova fórmula editorial para obras exigentes do ponto de vista intelectual e de excelente qualidade gráfica. E que por isso só aspiram a pequenas tiragens em papel.  Esta edição em papel não pede subsídios ao contribuinte. Deverá pagar-se a si mesma. Para este tipo de livros, a venda em livraria aumenta substancialmente o preço de venda ao público, sem aumentar as tiragens,  e por isso foi excluída após os pertinentes estudos microeconómicos. O editor não coloca nem colocará o livro em venda em livraria. Se o leitor encontrar o livro à venda numa livraria, queira verificar o preço: não mais do que dez euros.

É já hoje, 20 de fevereiro, a apresentação de «O Patriarcado de Portugal» +++ pormenores abaixo

Fevereiro 20, 2017

D. Manuel Clemente e Prof. Bacelar Gouveia apresentam «O Patriarcado de Portugal» no próximo dia 20

Fevereiro 6, 2017

apresentacaopatriarcadocapacarta1

D.Manuel Clemente, Cardeal Patriarca, e Jorge Bacelar Gouveia, catedrático da Nova Direito, apresentam o livro O Patriarcado de Portugal da autoria de Luís Salgado de Matos hoje, dia 20 de fevereiro, às 18h30. A sessão será presidida pelo presdente da Comissão de Liberdade Religiosa, Dr. José Vera Jardim. Após as duas comunicações haverá debate aberto ao público. A entrada é livre. A apresentação decorre no auditório B da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, no campus de Campolide. A sessão estará terminada às 20h00.

O Patriarcado de Portugal propõe uma nova interpretação do Patriarcado de Portugal, articulando-o com o passado e o futuro do nosso país. As suas  teses desafiam tanto católicos como não católicos. O seu autor investiga no campo da ciência social as relações entre Estado, instituição castrense e Igreja; é  o responsável do blog Estado e Igreja.

Durante a sessão, o livro será vendido ao preço especial de apresentação de dez euros. A venda começará antes das 18h00. O autor estará disponível para autografar os exemplares no final da sessão.

Como chegar à Nova Direito

A Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa tem a seguinte morada oficial:  Campus de Campolide, 1099-032 Lisboa. Este campus situa-se no centro de Lisboa, mais exatamente no declive norte da Marquês da Fronteira.

campus tem duas entradas: uma do lado de Campolide, assinalada no mapa abaixo com a letra A, e outra do lado de El Corte Ingles, identificada com a letra B. Esta é mais prática para quem for de Metropolitano. Ir a pé é fácil.  Se sair na estação do metro de S. Sebastião, atravessa a Marquês da Fronteira em direção ao Bairro Azul, segue a pé pela Fialho de Almeida, continua pela rua da Mesquita e vira ao fundo à esquerda. Logo encontrará o portão de acesso ao campus da Universidade Nova.

Há também acesso pela Ramalho Ortigão, que está assinalada do mapa, ao alto à direita. Se vem do centro e se vai de carro, é o melhor acesso.  Acede-lhe pela Avenida António Augusto de Aguiar, virando na primeira à esquerda após os sinais luminosos de El Corte Ingles.  Neste caso, surge-lhe a Mesquita ao alto à esquerda e, antes de atingir o Teatro Aberto, vira à esquerda e depois logo a seguir à direita, na rua da Mesquita. Segue como no percurso anterior. A Ramalho Ortigão, que está assinalada no mapa, à saída do metro S. Sebastião, é paralela à Fialho de Almeida. Indo por esta entrada, o edifício da Faculdade de Direito  situa-se à esquerda de quem entra no campus.

Se preferir a entrada, do lado de Campolide, sobe pela Marquês da Fronteira; depois de passar a Penitenciária, vira à direita nos semáforos, entra na avenida Miguel Torga, desce-a e, nos primeiros semáforos,  vira à direita entrando pela Travessa Estêvão Pinto, facilmente reconhecível pois atravessa um núcleo de casas antigas, e desemboca no campus. A Faculdade de Direito é o primeiro edifício à direita de quem toma esta entrada, logo a seguir ao portão. No mapa abaixo, a Travessa Estêvão Pinto está identificada por uma gota cor de tijolo com um ponto negro no seu interior.

campus tem um parque de estacionamento. Se pretender utilizá-lo, queira dizer na portaria que vai assistir à apresentação do livro O Patriarcado de Portugal.  É frequente haver lugares cá fora do parque, sobretudo para quem vai pela entrada B.

Se no dia da apresentação precisar de esclarecimento relacionados com o campus, o telefone é +351 213 847 400.

Coordenadas GPS: 38.732591, -9.160372novamapa

 

Eutanásia: Um Estado Assassino legitimado pelo Ataque à Religião

Fevereiro 5, 2017

eutanasiaexpeesso5vev2017

A eutanásia é agora declarada urgente em Portugal. Todos os partidos parlamentares consideram-na urgente, excepto o CDS/PP.  Após uma petição a favor da eutanásia subscrita por menos de um milésimo da população portuguesa, a Assembleia da República apressou-se a discutir esta modalidade de suicídio ou assassinato assistido. O Bloco de Esquerda, Os Verdes e o PAN apresentaram projetos de lei para autorizar o Estado a matar velhos indefesos, pessoas que consideram insuportáveis as suas dores e cidadãos com doenças tidas por incuráveis.

Estado e Igreja qualifica esse debate como o mais mortífero desserviço da classe política portuguesa ao nosso país. Continuamos ameaçados por uma crise económico-financeira endémica, que tira a esperança aos portugueses e contribui para lhes dar infelicidade. A situação no Médio Oriente deixa prever o agravamento das ameaças pacíficas e bélicas que impendem sobre o nosso território continental e ameaças à integração dos Açores e da Madeira em Portugal. Que discute o nosso Parlamento: acelerar o crescimento económico?  Melhorar a nossa segurança?  Não. O nosso Parlamento discute o modo de dar ao Estado português o direito de nos matar se nos declararmos infelizes.

O leitor sabe que está minado o terreno do debate da eutanásia legal: para os seus proponentes, a eutanásia só é combatida pelos católicos, os herdeiros da Inquisição, os assassinos.  O Expresso de sábado 5 do corrente mês de fevereiro testemunhava este contágio entre religião e combate à eutanásia legalizada: sobre esta só haverá decisão depois da visita do Papa. Este era o destaque da primeira página, como mostra a imagem acima. Qualquer criança via como era estabelecido o contágio. Com a agravante de se sugerir que o Papa Francisco limita a soberania portuguesa.

É pura intoxicação a ideia que só os católicos combatem a eutanásia legalizada. Para não falar dos evangélicos e crentes de outras religiões, a quase totalidade dos ateus, agnósticos e indiferente combatem-na também. Os religiosos não são as únicas pessoas com amor à vida. Aliás, nada têm a ver com religião os dois principais argumentos contra a eutanásia:

  • Reforça os poderes do Estado sobre o indivíduo, para lá dos limites autorizados pela moral e pelo bom senso.
  • É irreversível e por isso só deve ser adotada se se provar que não há nenhuma solução ao mesmo tempo reversível e e pelo menos tão boa como a legalização da eutanásia (se se provar que esta tem algum lado bom). Na página já citada do Expresso, a cidadã Maria Xavier declara : «a eutanásia é uma forma de amor». Seria se houvesse possibilidade  se fosse aplicável, quando a amorosa doação acaba, a velha devolução mútua de cartas e prendas  trocadas durante o namoro. Mas não há. O eutanasiado não pode pedir a sua vida de volta. Isto é: se a eutanásia incluísse a possibilidade de reversão. A reversão consistiria na ressurreição do eutanasiado. Acontece porém que a cidadã Maria Xavier não tem o poder de ressuscitar os que forem mortos ao abrigo da nova teoria penal da «doação amorosa».

O combate à legalização da eutanásia assenta num extraordinário efeito de intoxicação. A eutanásia é crime? Mas o suicidado não é punido. Só o são os seus ajudantes. Legalizar a eutanásia é legalizar a organização social do suicídio, homologado pelo Estado mas não fiscalizado por ele.

Doentes terminais? Todos sabemos que a eutanásia está em vigor desde Afonso Henriques.  Com uma condição:a unanimidade entre a família e o médico do eutanasiado, e deste, caso esteja consciente. Assim, não há crime. Este procedimento consensual é bem diferente da eutanásia legalizada, pois esta é um assassinato a pedido. Mas, na medida do humanamente possível, evita a dor, um dos argumentos dos eutanasistas. O discurso jurídico diz haver crime mas a realidade social nega-o. Outros discursos apresentam esta prática como não sendo eutanásia pois a morte só é aplicada a um dado indivíduo quando há coincidência de doença terminal e incapacidade dos cuidados palitativos. Estado e Igreja compreende estes discursos e não pretende apreciá-los de momento. Sublinha apenas que  nesse caso o indívíduo não morre porque deixou de funcionar, morre porque alguém desligou a máquina – por justificada que fosse tal ação. Está aqui o ponto comum com a eutanásia legalizada: na ação humana causa direta da morte. Seja como for, a responsabilidade pela morte pertence hoje a indivíduos qualificados. Não pertence ao Estado. No caso o Estado só intervém para evitar o assassinato organizado sob a forma (aparente) de suicídio.  Por isso, como sabe quem quiser, os administradores hospitalares ainda não têm poderes para mandar matar os doentes terminais.  Os defensores da legalização da eutanásia ignoram como morrem os portugueses? Pela justificações que dão, está provado que ignoram. E que, ignorantes, não se coíbem de legislar sobre a nossa vida.

A atual situação normativa, resultante da lei e dos costumes, só não permite  o suicídio quando se trata de alguém sem a possibilidade física de o cometer e que ao mesmo tempo enfrenta a oposição dos familiares ou dos médicos. Mas não há um direito ao suicídio e a questão é circular: talvez o candidato a suicida fique melhor vivo. É que se explica abaixo.

Sobre a continuação da nossa vida, quando estamos de saúde e quando estamos envelhecidos ou fragilizados, o Estado diz hoje o mínimo ético possível: o assassinato é proibido, em particular o assassinato organizado. Os defensores da eutanásia querem alargar o papel do Estado: querem dar-lhe poderes para matar o leitor e o autor destas linhas. E a eles próprios. Isto, insista-se, nada tem que ver com a religião – exceto se os não religiosos quiserem dar aos religiosos o monopólio da defesa da vida humana. Era um argumento muito popular no século XIX e começo do XX. Estado e Igreja não concorda com esta teoria, agora serodiamente perfilhada pelo Bloco de Esquerda, Os Verdes e PAN pois ser ateu, agnóstico ou indiferente não é sinónimo de ser assassino.

Os defensores do assassinato legal invocam dois argumentos e só dois argumentos: a morte para evitar a dor e a ausência de cura. São ambos falsos.

  • Qual é a dor mortal? Quando o Estado mandar as televisões por ele licenciadas afirmarem todos os dias que é mortalmente doloroso viver quando se tem menos de 90 de Quociente de Inteligência (QI), a população convencer-se-á disso e pedirá para ser assassinada, para deixar de sofrer. Boa parte dela dará entrevistas nos canais televisivos a vangloriar-se desse ato. Os proponentes da lei da eutanásia não pensaram que a lei deles lhes traria esse risco, mas traz. Parece que dos países mais civilizados já começou a diminuir o défice do serviço nacional de saúde matando os atrasados mentais. Diz-se que nos Países Baixos já há morte a pedido. Se a dor mortal é inevitavelmente subjetiva, arrastamos o direito do Estado atrás de uma subjetividade assassina e não fiscalizada. A eutanásia legalizada é uma forma de nazismo na qual os fortes convencem os fracos a pedirem para serem eliminados. Com inequívocas mas inconfessadas vantagens financeiras para o Serviço Nacional de Saúde.
  • Quem define a ausência de cura? Nos anos 1980, a SIDA  era incurável. Vinte anos depois é perfeitamente gerível. Se o Bloco de Esquerda e tutti quanti tivessem conseguido aprovar em 1979 a proposta de legalização da eutanásia, os doentes de SIDA nos anos 1980 teriam tido o direito de pedirem para serem assassinados e estariam hoje mortos. Ora na realidade levam uma vida normal, pois foi descoberta a cura. Os proponentes da legalização da eutanásia são uns retardatários que, como arma de terror intelectual, gostam de se apresentar como modernos e progressivos. Estamos a começar a viver uma época extraordinária em que chegam aos hospitais os primeiros medicamentos produzidos pela descoberta do código genético, o ADN . O ritmo de descoberta de medicamentos está a acelerar e por isso no futuro próximo serão salvos muitos doentes, em cuidados paliativos, para os quais de momento a ciência não oferece saída. Esta aceleração valoriza o argumento contra as decisões irreversíveis sobre a vida humana e favorece os cuidados paliativos: o que é hoje incurável, será curado dentro de meses. Os proponentes da eutanásia, que vimos acima a difamarem os ateus com argumentos oitocentistas, vivem na Idade Média quando não havia indústria farmacêutica e o ADN  era desconhecido.  Se os eutanasiadores não exigem a ausência da cura, então  a sua posição é ainda mais fraca:  querem apenas organizar o assassinato legal, disfarçado em eutanásia. Ou será que ignoram as infinitas possibilidades de pressão social para levar um velho doente a pedir que o matem para lhe tirarem as dores? Ignoram o que se passa nos atuais campos de concentração de velhos? Desconhecem que os bancos dos hospitais não aceitam idosos nas consoadas de Natal e de Ano Novo, nem na véspera de partidas em massa para férias do Verão?

Há alguma razão para aqui e agora legalizar a eutanásia? É urgente? O tema preocupa os nossos concidadãos? É irrisório o número de portugueses interessados nela, o que mostra tratar-se de uma minoria vanguardista que pretende impô-la. Razões de substância não há nenhuma: aumentam todos os dias as possibilidades de prolongar a vida humana com saúde.

Há evidentemente uma razão para a urgência na legalização da eutanásia: essa razão é a consonância entre uma minoria que sonha atacar  a religião sempre que haja um pretexto e  a conjuntura política. O Bloco de Esquerda e o PCP tornaram-se cobradores de fraque dos nossos credores. Por isso, deixam de ter condições para mobilizarem os seus eleitores na base dos tradicionais protestos económicos contra o governo. Após virarem a casaca, ambos vêem nas sondagens que o seu eleitorado lhes foge e, para o conservar,  têm  que inventar novas reivindicações, que são as chamadas roturas civilizacionais, pois o PS decidiu há meses não antecipar as eleições, pelo menos para já, o que mantém no grelhador por mais tempo os dois partidos comunistas. O PS, e por razões mais misteriosas o PSD,  consideram que devem dar esta fuga àqueles  dois partidos comunistas.O Bloco é o mais favorecido. Com efeito, o PCP conta com uma clientela mais envelhecida, que sensatamente teme ser vítima da legalização da eutanásia, e por isso não quis colocar-se na primeira linha da eutanásia; mandou os ex jovens Os Verdes avançar para a frente neste combate. Perante estes valores elevados, que conta a vida do leitor e do eleitor?

Ou será assim que o Bloco e o PCP querem equilibrar as contas do Serviço Nacional de Saúde, por saberem não haver dinheiro para comprar os novos medicamentos que estão a aparecer no mercado ou estão na forja? Não no sentido de esses partidos  por si mesmos pretenderem exercer a menor ação condenável no campo do assassinato legalizado, como seria a criação de Salas de Eutanásia do Bloco ou do PCP, mas no sentido de transformarem o bem moral (a vida) no mal legal (a morte).

Nas questões de vida e de morte, convém sermos exigentes e claros. Estado e Igreja espera ter sido exigente claro na questão da eutanásia legalizada.

Visão História resume Fátima no começo do Centenário

Fevereiro 5, 2017

visaohistoriacapa

Fátima A construção do Fenómeno é o tema do mais recente número da Visão História, a única revista portuguesa de alta divulgação consagrada a assuntos históricos,

O número começa pelo contexto, precedido de uma cronologia. Prossegue  o fenómeno, consagrado à descrição de Fátima:os milagres, as relações com o Estado,, os «turistas peregrinos».  O apogeu, com o inevitável Salazar (que aqui tem um dos piores papéis da sua carreia), o crescimento do Santuário considerado como instalações físicas,  as visitas dos Papas Paulo VI e João Paulo II.Por fim, outras explicações, onde se destaca um texto do Doutor Moisés Espírito Santo sobre  os mouros fatimidas. Os vinte artigos são assinados por especialistas, que em geral escrevem num estilo acessível ao leitor comum e  são acompanhados por fotografias da época que em geral revestem valor documental e são razoavelmente legíveis.

Visão História, um monumento da cultura portuguesa contemporânea, é devida à ambição intelectual e à tenacidade  prática do Dr. Luís Almeida Martins. Para este número reuniu colaborações de quadrantes doutrinais diversos, e tratou com equidade, qualidade e delicadeza um tema melindroso e complexo.

Para ler o sumário, no qual encontrará contribuições do animador de Estado e Igreja, clique em

http://visao.sapo.pt/historia/2017-02-01-Fatima-cem-anos-de-multidao