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O Estado e o Islão na Europa : o  Perigo a Esconjurar

Agosto 28, 2017

 

IslãoCavakloDeTroia

Para muitos, o Islão é o cavalo de Tróia que ameaça a Europa

Ninguém duvida hoje que as relações entre  o Estado ea Igreja  na Europa Ocidental atravessam uma fase difícil. As dificuldades são sobretudo com  o Islão. Se não forem resolvidos os problemas com esta religião minoritária, mas significativa, eles contaminarão as relações com as outras confissões.

O terrorismo fundamentalista islâmico é a causa próxima do agravamento destas as relações. Alguns (uma minoria, ao que parece) julgam que o Islão enquanto tal favorece a violência colocada ao serviço da salvação. Uma grande parte da opinião suspeita indiscriminadamente os muçulmanos europeus de serem cúmplices  ou simpatizantes do terrorismo fundamentalista islâmico.

Aquelas duas opiniões são por certo falsas. Parte do Islão aceita a violência redentora mas a maioria rejeita-a. É por outro lado evidente que a maioria dos muçulmanos na Europa ocidental não adere ao terrorismo. Contudo, apesar destas evidências as relações Estado-Islão continuam sem um ponto de equilíbrio.

O problema do Islão na Europa é muitas vezes apresentado em termos  de estratificação social: trata-se de uma minoria desprivilegiada. Estado e Igreja, a propósito de atentados terroristas em França, sinalizou que este país começa por enviar os jovens muçulmanos para a escola, que é uma instância de promoção social, e os remete depois para a organização social, que recusa promovê-los. Esta abordagem conserva os seus méritos mas é insuficiente. À uma, porque nem todas as minorias desprivilegiadas recorrem ao terrorismo. À outra porque  a  promoção social exige décadas e o agravamento atual do problema requer uma solução mais rápida: o problema é de confiança.

Inglaterra, Espanha. França, Alemanha, Bélgica foram nos últimos anos vítima de atos terroristas praticados em geral por muçulmanos  de próxima ou remota origem estrangeira mas radicados nos países alvo. Os recentes atentados terroristas islâmicos na Catalunha agravaram subitamente a situação.  A desilusão causa o agravamento: os espanhóis em geral e os catalães em particular julgavam que tinham integrado os seus muçulmanos e descobriram de um momento para o outro que muitos fingiam estar integrados mas preparavam ataques terroristas ou eram «simpatizantes» deles, para traduzir a palavra alemã aplicada aos apoiantes externos da Rote-Armee Fraktion, o grupo terrorista Baader-Meinhof, nos anos 1960 e seguintes.

Talvez devido a essa desilusão, vimos pela primeira vez na televisão o presidente de uma comunidade islâmica catalã declarar que se soubesse que o seu imã era terrorista, não o teria contratado. E queixar-se  que o Estado espanhol não lhe tinha comunicado informações nesse sentido.

Este distanciamento entre o presidente da comunidade islâmica e o terrorismo islâmico é um passo em frente. Está por dar em muitas mesquitas por essa Europa fora. Mas será um passo suficiente para alcançar o equilíbrio nas relações Estado-Islão? A resposta é negativa: o presidente da comunidade não disse que desenvolveu pelo menos um dever médio de diligência para saber se o imã era de orientação terrorista nem afiançou que o denunciaria à polícia espanhola se dessa orientação acalentasse a menor suspeita. É este o comportamento  indispensável para garantir a integração política dos muçulmanos na Europa e para destruirmos o terrorismo fundamentalista islâmico. Se não agirem assim, denunciando os crimes nos termos da lei, deverão passar a sofrer as consequências da lei, não podendo invocar como atenuantes nem a sua religião nem a sua condição de estrangeiros.  Porque as palavras simpáticas daquele presidente de comunidade islâmica podem esconder um «simpatizante» com receio de ser apanhado pelas autoridades. Não é pedir muito: é pedir o mesmo que é pedido a qualquer cidadão português ou a qualquer cidadão estrangeiro em Portugal.

Nesta base, haverá razões para supor que será vencida a crescente hostilidade da opinião pública da Europa ocidental à igreja islâmica

Sem este mínimo, as relações Estado-Islão na Europa ocidental deteriorar-se-ão inexoravelmente com o inevitável sacrifício das comunidades minoritárias.  A quem se aplicam estas regras?   Seguramente à Europa ocidental. Estado e Igreja ignora as condições concretas na Rússia e por isso hesita em lhas aconselhar. Essas regras já são seguidas por muitas organizações islâmicas e em vários países – entre os quais o nosso.

O nosso Islão é étnica e politicamente diferente do espanhol ou do transpirenaico.  É de origem africana ou indiana, ao passo que aquele é de fonte árabe, maghrebina, ou otomana. Mais importante a  Comunidade Islâmica em Portugal é quase exclusivamente  portuguesa, portugueses são os seus dirigentes – entre os quais avulta o seu notável presidente, o Dr. Abdool Karim Vakhil – e identifica-se com as leis portuguesas. Outra comunidades islâmicas europeias seguem estes preceitos: numerosas mesquitas inglesas; Didier Boubaker, o reitor da mesquita de Paris, que durante anos geriu  as relações muçulmanas com a laicidade francesa-

 O problema é de confiança.  Seguindo este caminho, a confiança será mantida, onde existe, e estabelecida, onde não existe. Nós apenas temos que continuar a trilhar o bom caminho, fugindo da tentação de imitar os que não sabem como tratar o Islão  mas propõem a sua inépcia como modelo.

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