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Mário Soares: A Paz civil entre o Estado e a Igreja

Janeiro 9, 2017

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Em junho de 1974, Mário Soares (à esquerda na foto), levou Adelino da Palma Carlos, primeiro-ministro, a visitar D. António Ribeiro, Cardeal Patriarca. (a fonte da foto está no final do presente post)

Mário Soares desempenhou um papel crucial para evitar que a oposição ai Estado Novo e a Salazar caísse no grande erro estratégico da 1ª República: atacar o catolicismo. Em 1961, os bonzos da Oposição Democrática  continuavam no 20 de abril de 1911, a data da Lei da Separação e do começo dos ataques laicistas à Igreja Católica. Soares reparou que existia o bom Papa João XXIII e o Concílio do Vaticano II. Soares apoiou O Tempo e o Modo, a revista de diálogo entre cristãos e não cristãos, promovida por António Alçada Baptista.

Esta atitude garantia a posição social do catolicismo em Portugal, que os liberais anteriores sempre tinham recusado. Sem ela, teria sido impossível o triunfo pacífico do 25 de abril. Quando, a partir de junho de 1975, a extrema esquerda, incluindo o PCP, voltam a atacar a Igreja Católica, Soares combateu pela paz civil. Nas entrevisttas com Maria João Avillez, reconheceu cavalheirescamente o apoio que o catolicismo lhe tinha dado no «verão quente». Fora a primeira vez que a Igreja em Portugal apoiara a democracia representativa.

Mais tarde, Mário Soares tomou outra orientação sintomal: autorizou a abertura da primeira vaga das «questões de civilização», ao apoiar a proposta de  «despenalização do aborto», apresentada por Maria Belo e aprovada na Assembleia da República em 1984. Com efeito, o catolicismo condenava a legalização do aborto. Soares teve então o talento e o senso de obter para essa nova política a aprovação da Santa Sé, o que não terá ocorrido nas vagas posteriores das nossas questões de civilização.

 

Fonte da foto de abertura

Foto extraída de «A Igreja Católica e os Partidos Democratas-Cristãos na Revolução em Portugal (1974-1975)» por Teresa Clímaco Leitão, publicado em Interações do Estado e das Igrejas, livro coordenado por António Matos Ferreira, Luís Salgado de Matos, Imprensa de Ciências Sociais, Lisboa, 2013. Esta obra publica trabalhos do Seminário Permanente sobre o Estado e as Igrejas, organizado no quadro da cooperação entre o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa

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