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Miriam Halpern Pereira estuda a Religião na 1ª República

Setembro 26, 2016

 

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Miriam Halpern Pereira, catedrática  jubilada do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, aborda de modo sintético e objetivo a problemática das relações entre o Estado e a Igreja durante a 1ª República (1910-1926) no seu livro recentemente publicado           A Primeira República Na Fronteira do Liberalismo e da Democracia. A obra, com 219 páginas, é editada pela Gradiva.Como o título indica, o livro é uma síntese  sobre aquele período da nossa histórica.

A obra começa com um breve resumo cronológico dos anos 1910-1926; a seguir estão os capítulos por assuntos. O primeiro é consagrado à problemática religiosa e representa  cerca de um vigésimo da obra. A Primeira República retraça o crescimento da secularização social e da laicização estatal desde a Monarquia Liberal (1834-1910), salienta que «laicização» é a palavra que sintetiza o programa de «mudança cultural republicana», resume as medidas laicizadoras da República, destacando as do registo civil e dos cemitérios, e traça as linhas gerais  da aplicação da Lei da Separação do Estado das Igrejas. Além deste capítulo, a obras contém numerosas referências ao catolicismo cujo confronto com o Estado considera ter estado «no centro da conflitualidade social». O leitor não deixará de relevar ter sido este o capítulo escolhido pela autora para uma significativa confissão autobiográfica.

Miriam Halpern Pereira escreve: a 1ª República foi alvo de «interpretações controversas, muito marcadas por fatores ideológicos». Apesar de uma ou outra afirmação discutível – o «forte apoio» do clero católico às incursões monárquicas» foi uma invenção dos amigos de Afonso Costa –  a autora conseguiu ultrapassar aquele escolho, no relativo à religião: escreveu páginas factuais e surpreendentemente bem informadas. Surpreendentemente pois o tema do catolicismo é o «onde a porca torce o rabo» dos escritos sobre a 1ª República.

Enquanto síntese o livro padece do pecado venial de não referir na bibliografia os críticos da 1ª República, em particular dos Democráticos, entre os quais avulta Vasco Pulido Valente.  É certo que são cada vez menos numerosos. Fora este pequeno senão A Primeira República é uma introdução de confiança aos outros temas abordados: educação, cidadania, Forças Armadas e segurança, espaço público, associativismo, solidariedade social, economia e finanças, Império e emigração. O livro está escrito num estilo leve e solto, sendo o aparelho crítico reduzido ao mínimo. O que é adequado ao propósito declarado de escrever uma obra para «um público não especializado». Com A Primeira República, Miriam Halpern Pereira escreveu a sua obra prima.  Esperemos que reincida com uma obra de síntese sobre o nosso liberalismo monárquico.

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