Skip to content

Timor-Leste assina hoje uma Concordata com o Vaticano

Agosto 15, 2016

 RamosHortaComoPapaBentoXVI

José Ramos-Horta, presidente de Timor-Leste, com o Papa Bento XVI

Hoje, dia da Assunção da Virgem, a República de Timor-Leste e a a Santa Sé assinam a sua primeira concordata, anunciada como seguindo o «modelo italiano». É difícil não ver por trás desta assinatura o génio estratégico de Ramos-Horta, o Presidente daquele país. O Vaticano soube corresponder:  renunciou à  habitual assinatura  no seu território e deslocou para Timor-Leste o seu secretário de Estado (primeiro ministro), o cardeal Parolin. A cerimónia decorrerá hoje em Dili. Timor-Leste é o país asiático com mais elevada proporção de católicos. Conta 1,2 milhões de habitantes, dos quais 96% são perfilham o catolicismo.

O Vatican Insider, um blog especializado do diário turinense La Stampa¸  anuncia o acontecimento e escreve: «a mão de ferro indonésia  estimulou o crescimento exponencial dos católicos na ilha»  pois queriam  conservar «um elemento de originalidade e identidade» face a um ocupante  de maioria islâmica.

A concordata hoje assinada tem um evidente significado nas relações entre a Igreja e o Estado, em termos não só asiáticos mas também mundiais. Mas, daí a afirmar que os timorenses de leste (e não os timorenses todos) se converteram ao catolicismo por reação apenas política à Indonésia, vai um longo caminho. Longo caminho que aliás retira autonomia histórica à religião dos habitantes de Timor-Leste e, sob a aparência oposta, lhes renova o estatuto de colonizados, de seres humanos sem capacidade de afirmação própria.

Em 1973, nas vésperas da independência, o catolicismo já era forte em Timor-Leste. A  Igreja Católica contava então 187 mil católicos em 629 mil habitantes . Havia atingido a massa crítica suficiente, que lhe permitiria responder à perseguição religiosa e nacional operada por Djakarta. Se prolongarmos linearmente a tendência  1930-1973 dos católicos em proporção da população de Timor-Leste, concluímos que em 2010, cerca de 55% da população seria católica.  A invasão indonésia e/ou a capacidade de crescimento endógeno do catolicismo leste-timorense depois da independência explicarão os restantes 40%. Não é porém de excluir que tenha havido um modulação do conceito de católico, por contraste com animista,  que teria inflacionadoa percentagem de católicos naquele país.

 

http://www.lastampa.it/2015/08/12/esteri/vatican-insider/en/east-timor-churchstate-agreement-MerqJuDRuBGmbbqVjaMt7K/pagina.html

Anúncios
No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: