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Habermas e Gauchet divergem sobre o Caráter religioso dos Atentados de Paris

Novembro 23, 2015

Jürgen Habermas, o filósofo alemão do espaço público, e Marcel Gauchet, o pensador francês que renovou o pensamento laico descobrindo que o cristianismo era «a religião da saída da religião», divergiram publicamente na interpretação do caráter religioso dos atentados terroristas islâmicos que ensanguentaram Paris fez sexta feira oito dias.

JuergenHabermas Habermas escreve, num artigo no quotidiano francês Le Monde: «é certo que o fundamentalismo jihadista recorre nas suas expressões a um código religioso mas não é em nada uma religião. Ele poderia recorrer, em vez da linguagem religiosa que utiliza, a qualquer outra linguagem religiosa e mesmo a qualquer ideologia prometendo uma justiça redentora».

MarcelGauchetGauchet, por seu turno, escreve também nas páginas daquele jornal: «esta violência terrorista é-nos impensável porque não entra nas nossas grelhas habituais de leitura. Sabemos que os assassinos agem em nome do islamismo, mas a nossa ideia da religião está de tal modo afastada de semelhante conduta que não levamos a sério esta motivação»; e insiste: «é realmente um fenómeno religioso que temos que enfrentar».

TorresGémeasAArderemHabermas interpreta o terrorismo fundamentalismo islâmico como uma recusa da modernidade – supondo os terroristas descidos do camelo e ele próprio ignora a modernidade óbvia do Estado Islâmico – , ao passo que Gauchet procura aprofundar os efeitos sociais de uma religião cujos crentes, em grande número. persistem em moldar a esfera social; em particular; acrescenta: «há uma forte especificidade e uma virulência particular do fundamentalismo islâmico», embora recuse «toda a amálgama» e admita mesmo um fundamentalismo islâmico não terrorista.

BataclanEstado e Igreja procurou a semana passada interpretar os trágicos atentados de Paris em termos de comportamentos religiosos e simbólicos. Habermas pressupõe um utilitarismo na escolha dos ideários dos terroristas islâmicos que nada tem a ver com a vida e a mentalidade deles; supor que os autores daqueles atentados teriam condições para, por exemplo, escolherem como patrono Kropotkine ou Proudhon ou Marx é raciocinar como um utopista, mais do que como cientista social. Talvez a consideração da dimensão religiosa daqueles atos terroristas restaure algum bom senso na atitude face a esta vaga terrorista: Habermas leva a sério a retórica belicista do Presidente Hollande, que amplia a ameaça terrorista e satisfaz os objetivos dela, ao passo que para Gauchet o terrorismo fundamentalista islâmico «não constitui uma ameaça capaz de colocar em questão a maneira de ser das nossas sociedades»; e conclui: «enfrentemo-lo pelo que ele é, sem lhe atribuirmos uma força que ele não tem». Que pena os chefes da segurança de Paris e Bruxelas nem sempre serem leitores de Gauchet!

 

Fontes dos textos:

Habermas:

http://www.lemonde.fr/idees/article/2015/11/21/jurgen-habermas-le-djihadisme-une-forme-moderne-de-reaction-au-deracinement_4814921_3232.html

Gauchet:

http://occam.over-blog.com/

 

 

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