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A Caça ao Padre

Junho 15, 2015

PadreLuísMendes

Fez ontem oito dias, o Padre Luís Martins, foi posto em liberdade, pois o seu recurso ainda não foi julgado e expirou a medida de coação, a prisão domiciliária e a pulseira eletrónica: estava em prisão preventiva há dois anos e meio. Aquele sacerdote, um dos antigos responsáveis do seminário do Fundão, foi condenado a dez anos de prisão por ter abusado sexualmente de cinco alunos menores. Juridicamente tem todo o direito de andar pela rua sem ser incomodado, pois nenhuma decisão legal autoriza a sua prisão. Sensatamente, porém, a diocese da Guarda, à qual pertence, anunciou que ele continuaria em auto-reclusão – por certo com o o seu acordo, pois de outro modo estaríamos perante cárcere privado.

O que não foi suficiente para tranquilizar os meios de comunicação social. Há oito dias, o  Correio da Manhã alertava os seus leitores para o fenómeno em curso. Era-lhe dado um destaque que sugeria alguma relevância oculta, por certo um perigo. O Diário de Notícias procedia do mesmo modo, destacando o caso, centrando-o também na personalidade do padre Martins –e não no funcionamento dos tribunais, responsáveis pela demora no julgamento e portanto pela libertação. Nesse mesmo dia, um programa da RTP1 sobre as regiões foi interrompido para José Rodrigues dos Santos anunciar que o caso desse padre teria destaque no telejornal. Pouco tempo depois, o apresentador de «O preço certo» encontrou maneira de referir pejorativamente «o padre de quem se fala», ou uma expressão semelhante.

Este vezo persecutório contra suspeitos parece alastrar em Portugal – vejam-se certas atitudes de populares em relação ao Engº José Sócrates – e em França, contra o antigo Presidente Sarkozy. É por certo uma consequência de o medo estar a aumentar (medo do terrorismo islâmico, medo das consequências da crise económico-social). No caso vertente, parece acrescer a qualidade de padre do condenado sem pena transitada em julgado.

Sobre este temas, afiguram-se necessários dois comentários:

1) A específica responsabilidade do padre (ou do ministro de outras confissões religiosas) não suspende os direitos humanos de que ele beneficia;

2) A Igreja Católica em Portugal tem colaborado exemplarmente com os tribunais na perseguição dos padres acusados de pedofilia o que exige como contrapartida que em relação a eles sejam respeitadas com rigor as regras do Estado de Direito Democrático.

A acusação de pedofilia não fundamenta a caça ao homem, na sua variante caça ao padre – nem em nenhuma outra.

http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/portugal/detalhe/padre_abusador_livre_e_escondido_em_casa.html

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4613372

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