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Laicidade francesa: O Caso da Saia Islâmica

Maio 3, 2015

Sarahlardennais

Sarah vestida com a arma antilaica: a saia preta comprida. E também com o lenço islâmico. Fonte: L’Ardennais

A semana passada, Sarah, uma aluna de 15 anos de um estabelecimento de ensino secundário em Charleville-Mézières (Ardenas, França) foi expulsa por dois dias por desrespeitar as leis da laicidade, usando uma saia preta demasiado comprida, violando assim a lei de 2004 que proíbe na escola pública o uso de « símbolos e vestuários cujo porte conduz ao imediato reconhecimento de uma pertença religiosa»; as autoridades escolares mandaram-na para casa mudar de roupa. O caso foi revelado por L‘Ardennais, o jornal local, e entretanto apaixona a França.
Ate agora, os símbolos violadores daquela lei eram o crucifixo demasiado visível, a kippa, o véu islâmico. Agora soma-se-lhe a saia preta comprida. É uma saia «banal», custou dois euros, disse Sarah. Ao que parece, um certo número de meinas muçulmanas francesas contorna a lei vestindo a tal saia preta comprida. Parece haver uns cem conflitos deste tipo por ano, mas este foi o primeiro que suscitou um debate nacional.

Há quem diga que Sarah foi vítima de discriminação, pois no seu colégio todos sabem que ela é muçulmana, dado que tira o lenço islâmico ao entrar na escola. A direção da escola acusa-a de ter reivindicado a natureza islâmica da saia. A mãe da adolescente nega. A ministra da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, afirma que a sanção caiu «sobre o proselitismo, e não sobre o vestuário de Sarah». Mas o proselitismo é proibido nas escolas francesas, além dos limites estabelecidos pela lei de 2004? Se por exemplo uma aluna disser que as meias encarnadas simbolizam o Islão, o diretor da escola proíbe as meias encarnadas?
Passará a haver uma moda laica em França? «Não haverá política vestimentar, o que é preciso examinar é o comportamento global do aluno», diz Nicolas Cadène, relator do Observatoire de la laïcité. Mas comportamento global das alunas inclui a saia preta longa…. Voltamos à estaca zero. A noção de laicidade será chamada a determinar a altura autorizada para os tacões dos sapatos das senhoras?
A laicidade francesa, um conceito discutível mas sério,  segue assim um caminho perigoso: o seu conteúdo torna-se a um tempo incerto e ridículo. A mesma ministra Vallaud-Belkacem, que proíbe a saia comprida, autorizou os pais a usarem distintivos religiosos quando vão à escola buscar os filhos, reintroduzindo assim esses símbolos no recinto escolar. Onde está a lógica? Nesta guerra da bainha religiosa, as autoridades francesas parecem ter esquecido o sábio conselho de Voltaire: «il faut avoir les rieurs de son côté» (devemos ter do nosso lado os que se riem). E criam um abcesso de fixação civilizacional (a saia preta comprida é comum no Magreb, de onde são oriundos quase todos os muçulmanos franceses), deixando que algumas adolescentes se vistam com o manto da religião e do martírio de trazer por casa, enquanto a República Francesa se ridiculariza.

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