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Que faz o nosso País pelos Cristãos do Próximo Oriente?

Março 30, 2015

CristãosNoPróximoOrienteBBC

Uma minoria ameaçada de morte ou de exílio

Sexta-feira passada, a França colocou na agenda do Conselho de Segurança das Nações Unidas um texto sobre a situação dos cristãos no Médio Oriente. A França preside aquele órgão e outrora reclamou-se do estatuto de potência protetora dos cristãos naquela área. O texto não foi porém seguido de nenhuma votação e por isso ficará apenas como um desejo pio – melhor do que nada, mas sem minorar a ameça de morte ou de exílio que a curto prazo impende sobre aquela minoria.
Como é do domínio público, a situação dos cristãos médio-orientais tem vindo a piorar desde a ofensiva do ISIS, o assim chamado Estado Islâmico, desde o verão do ano passado: são mortos, perseguidos, expulsos das suas casas. Mas o ISIS não é a única causa de preocupação. No Iraque, localidades de maioria cristã são governadas por um presidente da câmara um muçulmano. e tarda a libertação das planícies de Ninive e Mossul, onde vivia a maioria dos cristãos: quanto mais tarda, mais problemático é o seu regresso.
Alguém se interessará pelo destino dessa minoria?

* O Papa Francisco defende os cristãos do Próximo Oriente, mas não é escutado nem por católicos nem por não católicos.  Como se sabe, a Santa Sé não se opõe ao recurso à força (o que é uma exceção à regra e diz bem do seu interesse no caso).

* A União Europeia não quer ter o incómiodo de em favor dela reunir o apoio russo, chinês e estado-unidense, os outros membros permanentes do Conselho de Segurança – ou os países  mediterrânicos.

* Uma força internacional cheiraria a cruzada e provocaria reações de rejeição árabo-islâmicas.

* Uma iniciativa diplomática na Síria é bem vinda pelos cristãos locais – mas Paris quer bombardear o regime de Bachar-al-Assad, apesar de Washington admitir negociar com ele e de ele reconhecer a liberdade religiosa dos cristãos (ao passo que o ISIS quer exterminá-los).

* Uma zona autóctone e autónoma cristã no Iraque é reivindicada apenas por certos grupos de cirstãos no exílio.

* O Chredo (Coordination Chrétiens d’Orient en Danger) recorreu ao Tribunal Penal Internacional, e a França diz apoiar, mas a ação demorará.

* Coptas foram agredidos na Líbia (libertada pelos bombardeamentos NATO) e, para evitar a repetição desses massacres o Egito propõe-se estabelecer uma força unificada de intervenção. Virá do Cairo islâmico a salvação dos cristão médio-orientais? Talvez não; para intervir militarmente no Iemen, a Arábia Saudita preferiu não esperar pela força árabe unificada e agir numa coligação informal, invocando diretamente a carta das Nações Unidas.

Como nenhuma solução é executada, prossegue o êxodo, apoiado financeiramente pelo Ocidente: é a «morte lenta», como diz D. Petros Mouché, arcebispo siríaco-católico de Mossul e Qaraqoch.
O texto francês passou quase desapercebido entre nós. Que se saiba, o estado português nunca desenvolveu a menor ação significativa para proteger os cristãos no Médio Oriente. Contudo, essa é (ou devia ser) uma questão crucial do ponto de vista da nossa política externa: se os países mediterrânicos e médio-orientais de maioria muçulmana não souberem aceitar as suas minorias cristãs, será mais difícil que os países europeus reconheçam os direitos das suas minorias muçulmanas. Com os inerentes riscos para a paz na Europa e no Próximo Oriente – e portanto em Lisboa e arredores.
Boa Páscoa.

*
Mais informações em
http://www.lavie.fr/actualite/monde/qui-peut-sauver-les-chretiens-d-orient-27-03-2015-61641_5.php

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3 comentários leave one →
  1. Março 30, 2015 4:18 pm

    Estado e Igreja recebeu de um sacerdote o comentário seguinte, que agradece e publica:
    «O tema vale bem uma estação de Via-Sacra em plena Semana Santa. Mas
    quem aceita (entre nós ?) encetar caminho, acreditando, sem mais, na
    fecundidade do “peso” da Cruz?
    A Universidade Católica está fechada para férias…Os sínodos “a
    quatro mãos” mobilizam pastores e ovelhas para pastagens onde já não
    chega a “Primavera”. Os diplomatas ? não me façam rir : não estão
    nessa, agora substituíram o chá das cinco pela diplomacia
    económica… A força (persuasiva?…) das armas é isso mesmo: arvoram
    a lógica da necessária e florescente indústria do armamento, com
    capelães militares embaraçados, clamando pela paz a gente que
    “aprende” a fazer a guerra. Mas, vá lá, com jeito alienado ou sem ele,
    vamos atirando para Deus(quanto mais ecuménico melhor) o encargo de
    nos dar a paz “em nossos dias”, que os liturgistas se apressam a
    explicar que esses dias não são os daqui… são outros. Ah, são
    outros ! Os cristãos do Iraque, da Síria, do Egito…também são
    outros.
    Boa Páscoa, já me ia esquecendo»

  2. Março 30, 2015 5:36 pm

    Outro leitor de Estado e Igreja enviou o seguinte comentário que agradecemos e a seguir publicamos:
    «Quando leio sobre esta tragedia que em boa hora assinala,olho para a roda da Historia e vejo o massacre dos albigenses tao esquecido e sempre tao presente!
    Quem foi que disse que as religioes envenenam tudo!?
    Ai de mim pobre agnostico mas cristao na praxis.»
    Estado e Igreja sugere que procuremos todos (cristãos, agnósticos, ateus, muçulmanos, judeus, tutti quanti) hoje aplicar, e conseguir a aplicação universal, do conceito legal e contratual de liberdade religiosa – ao qual todos aderem, ao subscrever a carta das Nações Unidas, mas que no Médio Oriente sobretudo nem sempre é respeitado..

  3. Abril 1, 2015 6:47 pm

    Outro leitor e amigo enviou a Estado e Igreja um comentário de que extraímos o seguinte:
    «Fico-lhe muito reconhecido pelo alerta e pela interpelação. Penso que uma estreita cooperação com a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (FAIS) – bastante activa nesta questão – consituiria um passo deveras significativo. Sei que não é unânime o modo como se vê a Fundação mas, por certo, é unânime a consciência da nossa responsabilidade».

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