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Srª Thatcher: o Cristianismo influencia grandes Políticos atuais

Março 16, 2015

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Private Eye, o famoso jornal satírico londrino, sugeria a 31 de março de 1989 que Maggie Thatcher tinha mais a ver com sexo do que com religião – mas enganava-se

Margaret Thatcher, a primeira mulher a ascender ao cargo de primeiro ministro britânico, suscitou grandes paixões e grandes ódios. A razão de ambos era a mesma: a personalidade da autora e o facto de ela incarnar os vícios ou as belezas do que foi mais tarde crismado de neoliberalismo. Por isso é estudada numa extensa bibliografia. Ainda ninguém abordara o tema Deus e Margaret Thatcher. Está feito. Eliza Filby, historiadora no King’s College, de Londres, acaba de publicar o livro  God & Margaret Thatcher. O diário londrino The Independent recomenda-o; Estado e Igreja fia-se nele.

O tema é duplamente interessante: pela biografada e por tratar da dimensão religiosa dos nossos dirigentes políticos, um tema raramente analisado nestes anos de secularização. Quem diz dimensão religiosa diz dimensão filosófica, não é inevitável que dirigentes democraticamente eleitos sejam simples monstros ávidos de dinheiro e poder, produzidos por máquinas partidárias grotescas.

O leitor não seria surpreendido por um livro intitulado O Sexo e Maggie Thatcher. Afinal, ela tinha «os mais belos lábios desde Marilyn Monroe», sentenciou o Presjdente François Mitterrand. Era «sexualmente manipuladora», confirma a Drª Eliza Filby, em entrevista ao citado jornal.

Todos os viciados no Private Eye lembram-se que Maggie era «a filha do merceeiro». Era. Mas nem todos saberão que o merceeiro, Alfred Roberts, era acima de tudo um pregador metodista leigo (embora também fosse presidente da câmara de Grantham, onde habitava com a família). Acreditava numa religião rigorista e individualista, que regulava as relações do indivíduo com Deus; dizia que as Igrejas que se envolviam em questões sociais, afastavam-se de Deus. Margaret Hilda Roberts (Thatcher era o nome da casada) e as irmãs foram educadas de um modo estrito: eram proibidas de coser, de jogar, ou mesmo de ler no Sabath, mas autorizadas a irem ao cinema nos outros dias da semana.

Maggie conservou esta religião. É certo que citou São Francisco de Assis ao entrar no nº 10 de Downing Street, mas citou-o porque um dos autores dos seus discursos lho sugeriu. A sua espiritualidade era vincada mas pouco frequente entre nós. Vejamos um caso. Ao passo que o Presidente norte-americano Ronald Reagan, o outro Deus ou diabo do neoliberalismo, se considerava imbuído de uma missão divina, Maggie produziria um discurso bem diferente: «Tenho um dever a cumprir e é assim que sirvo Deus». No fundo era uma calvinista na versão Max Weber: ganhamos o céu trabalhando e ganhando dinheiro. Esta ética religiosa de hiperresponsabilidade, alargava-a ela a todos os cidadãos. As suas reformas transformaram a ganância individual em bondade oficial. Mas ela não gostou da organização social que produziu. Um dia, o deputado Frank Field perguntou-lhe o que considerava a sua maior derrota quando estivera no poder: «cortei os impostos, pensei que teríamos uma sociedade generosa, não a tivemos». Um projeto de sociedade produzido por causa da religião. Quem o diria?

O texto citado está acessível em
http://www.independent.co.uk/news/people/margaret-thatcher-a-new-book-explores-the-iron-ladys-religious-faith-and-reveals-how-she-modelled-herself-on-joan-crawford-10093611.html

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