Skip to content

Terrorismo fundamentalista islâmico em França: se o Dr. Passos Coelho se manifestar em Paris, agravará o Mal

Janeiro 10, 2015

Mesquiata2015Vandalizada

Um microorganismo político vandalizou a Mesquita de Lisboa escrevendo um número cabalístico que julga ser a data da independência do nosso país

Nos últimos dias, ocorreram em França vários sangrentos atentados terroristas cujos autores se reclamam do Islão; o mais sangrento terá sido contra o Charlie Hebdo, um divertido semanário parisiense especializado no ataque às instituições em geral, à religião em particular e particularisimamente ao Islão. Muitos portugueses preocupam-se: acontecer-nos-á o mesmo a nós? Como a histeria é inimiga da paz religiosa e da segurança da organização social, Estado e Igreja responde taxativamente: não acontecerá (exceto se o s terroristas vierem do estrangeiro). Por quatro bem diferentes ordens de razões:

  • Tratamos os muçulmanos com mais humanidade do que os franceses os tratam: no nosso país, os muçulmanos são portugueses de pleno direito (ou estrangeiros gozando de liberdade religiosa como os naturais) ao passo que em França, como há poucos meses afirmava um cientista social gaulês falando da o seu país, os muçulmanos são «participantes numa festa para que não foram convidados» e por isso sentem um permanente mal-estar; ora, no longo prazo, nenhum terrorismo se generaliza sem base social e o mau tratamento dado aos muçulmanos em França (e não só) cria a base social para o terrorismo fundamentalista islâmico;
  • A Comunidades Islâmica de Lisboa, em larga medida graça à sagaz presidência do Dr. Abdool Kharim Vakhil, é uma componente pacífica e aceite da organização política portuguesa; ainda ontem, o imã da mesquita central, Dr. David Munir, exortava os crentes daquela confissão a participarem à autoridade atos delituosos que os afetem, renunciando a fazerem justiça pelas suas próprias mãos, num exemplo de perfeita integração política e social; ora as mesquitas francesas só tarde e mal declararam integrar-se na organização politica francesa;
  • Os serviços de segurança portuguesa, em particular a GNR e a PSP, são neste particular mais eficientes do que os franceses (já ontem as autoridades gaulesas reconheceram as falhas da sua segurança);
  • São bem diferentes as composições sociais das comunidades islâmicas no nosso país e em França : a nossa é sobretudo hindustânica e africana, a francesa é sobretudo maghrebina e árabe.

Os portugueses apercebem-se instintivamente estas diferenças. Por isso, não ocorreu nenhuma manifestação antimuçulmana. Um microscópico grupo de extremistas portugueses, sedento de auttoafirmação e sem a conhecida base nacional ou local, escreveu ilegalmente uns algarismo esotéricos na porta Mesquita de Lisboa. Que vale isso?

Ontem à tarde, a imprensa portuguesa anunciou que o Dr. Passos Coelho iria amanhã manifestar-se a Paris contra o terrorismo fundamentalista islâmico. Ontem à noite, Estado e Igreja leu em L’Express que os chefes de governo britânico, alemão, italiano e espanhol se manifestariam na capital francesa. Nem uma palavra sobre o nosso primeiro ministro. A omissão é reveladora da importância que é atribuída à nossa presença oficial na manifestação de amanhã. Isso é o menos. O mais é que a presença do Dr. Passos Coelho nessa manifestação convencerá os portugueses que existe uma União Europeia do terrorismo fundamentalista islâmico – e tal união assustá-los-á sem ganho nenhum para ninguém. O problema não é a desnecessária demonstração da nossa coragem, o problema é que não existe a União Europeia das religiões ou dos fundamentalismmo ou do modo de tratar socialmente os muçulmanos.

A presença do Dr. Passos Coelho revelaria para mais uma profunda incompreensão do que está em causa: a Srª Merkel manifesta-se contra o terrorismo e contra a Pegida/AfD, que critica a sua política muçulmana; o Sr. Cameron manifesta-se contra o terroismo e sobretudo contra o UKIP que censura a sua política muçulmana; o Sr Hollande manifesta-se contra o terrorismo e contra o Front National, que critica a sua política muçulmana; o Sr. Renzi manifesta-se contra o terrorismo e contra o Sr. Berlusconi que critica a sua política muçulmana. Mas ninguém critica a política muçulmana, ou religiosa, do Dr. Passos Coelho, pelo que ele está dispensado de se manifestar na nova Lutécia. Aliás, doendo-se com as dores alheias, terroristizadas ou eleitorais, o Dr. Passos Coelhos corre o risco de se contagiar com elas – e de nos contagiar. Se se entender que devemos estar presentes, seria mais adequado que a Drª Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República, lá fosse por nós: representaria o Estado sem comprometer o executivo .

A solidariedade portuguesa aos franceses deve ser manifestada, mas sem aumentar o mal, sem assustar desnecessariamente os portugueses e sem comprometer o executivo do Estado português com os erros sociais, políticos e de segurança dos nossos amigos franceses.

Para mais, e em termos transpirenaicos, uma infrene escalada manifestante antiterrorista corre o risco de transformar um problema difícil numa tragédia sem solução – por afastar definitivamente os muçulmanos europeus da Europa dos direitos, da democracia, do respeito social e dos postos de trabalho.

Anúncios
2 comentários leave one →
  1. Janeiro 10, 2015 2:44 pm

    Um sacerdoto enviou o seguinte comentário:
    A NOTA breve e simples, com que Estado e Igreja refere o que em
    França vem ocorrendo nestes dias, é, no quadro dos meus conhecimentos,
    o que de melhor e mais sensato se escreveu, se viu e se disse entre
    nós a tal respeito. Não se trata de um sentimento de amigo ou parceiro
    de pensamento e opções. Conheces-me, e sabes que não me oriento ao
    ritmo de emoções e afetos. É por que assim penso.

    A focagem nacional, com considerações ponderadas e certas, que só a
    estupidez cretina não vislumbra, deixa, entretanto, suficientemente
    clara a infinda soma de questões de além fronteiras, que não se ousa
    publicamente abordar e que, votadas a um silêncio comprometedor,
    ir-se-ão desdobrando em metásteses cada vez mais mortíferas, anúncio
    dum futuro que temo nem venha a existir…porque se chegou tarde.

    Que não vos faltem o discernimento e a coragem para, na serenidade do bom senso,
    dizer que há gente que por aí não vai.

  2. Janeiro 10, 2015 2:52 pm

    Um leitor envioun o seguinte comentário:
    O que e a Pegida/afd?
    De acordo quanto a irrelevancia da presenca do Passos na manif!
    Mas a coisa vai complicar se…..mesmo nas urnas.
    A sua analise esta correcta e e muito original digo mesmo culta e inteligente!

    Estado e Igreja agradece e esclarece que a Pegida é um movimento de massa iniciado em outubro do ano passado na Alemanha Oriental e que a semana passada a Chancelartina Merkel começou a demonizar, qualificando de racismo extremista. A AfD, sigla alemã de Alternativa para a Alemanha, é um movimento político eurocéptico que já obteveve significativo recconhecimento eleitoral, sobretudo à custa da CDU, o partido da Srª Merkel. Recentemente, aliou-se à Pegida para evitar que seja prioibida a crítica de direito ao «establishment» alemão.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: