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Estados Unidos bombardeiam ISIS com Pano de Fundo religioso

Agosto 10, 2014

ISISIraqueMapa

Os Estados Unidos começraram a semana passada a bombardear áreas do Iraque dominadas pela ISIS, sigla  inglesa que corresponde ao Estado Islâmico  do Iraque e da Síria, o  cruel grupo extremista islâmico, que está às portas de Bagdad.

Oficialmente, a religião está fora do radar da intervenção. O governo de Bagdad, incapaz de organizar a resistência militar, e os curdos, ainda fracos militarmente, pediram a  intervenção de Washington. O motivo invocado pelo Presidente Obama foi o genocídio cometido pelo Isis. Mas aqui é que bate o ponto. O genocídio, de acordo com a Convenção para a sua Repressão e Punição, em vigor desde 1953, são «os atos praticados com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso enquanto tal». Estão nesse caso os cristãos do Iraque – entre outros, como os yazidis, uma minoria curda que pratica uma religião sincrética de zoroastrismo e antigas crenças babilónicas. Os muçulmanos chiitas são também perseguidos e os curdos, na maioria sunnitas, como sunnita é oa ISIS.

Ou seja: no caso do ISIS  a invocação de genocídio não exclui a motivação religiosa e parece mesmo tê-la implícita.  Aliás, Fareed Zakaria, um editorialista dos Estados Unidos cujo prestígio não foi abalado por acusações de plágio, afirmou na CNN que a defesa dos cristãos do Iraque era um dos motivos da intervenção militar. É propaganda, sem dúvida, mas a propaganda compromete.

Não significa isto que os cristãos do Iraque melhorem a sua situação devido aos atuais bombardeamentos: os Estados Unidos, que se proclamam campeões mundiais da liberdade religiosa, não garantem a liberdade religiosa no Iraque por eles tutelado. Aliás, a ISIS começou a sua vida como aliada dos Estados Unidos – e de Portugal. Terão que continuar a escolher entre ficarem, para serem de novo perseguidos e talvez mortos, e fugirem. Significa sim que pela primeira vez desde há muito, a motivação cristã influenciou a política externa americana e da União europeia. Com efeito, até o ministro dos Estrangeiros francês, o Sr. Laurannt Fabius, se precipitou para o Iraque onde, incapaz de uma ação armada, escoou produtos agrícolas franceses excedentários, invocando como motivo a solidariedade.

O assunto merece três breves anotações, na perspetiva de Estado e Igreja.

> É indesmentível a importância crescente da religião nos negócios internacionais.

>> As nações europeias são incapazes de  protegerem os cristãos perseguidos no mundo: só os Estados Unidos têm condições para tanto.

>>> A intervenção não é o regresso à cristandade: donde a invocação do genocídio, um crime laico.  Não teria ficado mal a Obama invocar a defesa da liberdade religiosa. A questão da «cristandade» coloca-se aliás na atualidade do Médio Oriente; ontem às Ave Marias, o Papa Francisco recusou que «a guerra seja conduzida em nome de Deus, tanto em Gaza como no Iraque» (o que terá agradado a Israel; mas condenou a violência da ocupação de Gaza, o que agradou aos Palestinianos). Guerra em nome de Deus é uma definição possível de cristandade.

 

 

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