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Os dois Papas canonizados: da «Apertura alla Sinistra» à Queda do Comunismo russo

Abril 28, 2014

JoãoXXIIIJoãoPauloIIJoão XXIII (1958-1963) e João Paulo II (1978-2005)

Uma dupla de Papas – Francisco e Bento XVI – canonizou ontem numa praça de São Pedro inundada de fiéis uma dupla de papas do século passado e do começo do presente: João XXIII (1958-1963) e João Paulo II (1978-2005).

A imprensa tem salientado que o atual Sumo Pontífice procurou equilibrar as duas grandes correntes do catolicismo atual, os modernizadores e os tradicionalistas, escolhendo um canonizado que agradava aos primeiros (João XXIII) e outro favorecido pelos segundos (João Paulo II). É esta a interpretação simplificadora da coluna de Erasmus, em The Economist. Neste pespetiva eclesiástica, seria também legítimo afirmar, com Louis Manaranche, um jovem historiador da direita católica francesa, que João XXIII e João Paulo II procuraram ambos reconciliar a Igreja com a modernidade sem a obrigarem «a ajoelhar perante o mundo». Ou  de um outro ângulo que o nome destes dois Papas revela o Quarto Evangelista como uma surpreendente influência em momentos decisivos da nossa contemporaneidade.

Estado e Igreja prefere concentrar-se na ação dos dois novos santos face ao Estado.João XXIII é o autor da moral da «abertura à esquerda» operada por Aldo Moro: a aliança entre a democracia cristã e o socialismo a que então, no começo dos anos 1960, ainda não se chamava democrático. Foi um momento de viragem: confortou a açao liberal do também católico John Kennedy, presidente do Estados Unidos, impediu o general de Gaulle de virar à direita, obrigou o generalíssimo Franco a tolerar a esquerda, precedeu de pouco a «grande coligação» na Alemanha, a qual começou a «abertura a leste», de Willy Brandt, iniciando o isolamento internacional do comunismo russo –  isolamento que no plano político interno dos países democráticos da Europa latina era  marcado pela abertura à esquerda.

João Paulo II, o papa polaco, é o grande artesão da ofensiva contra o comunismo na Polónia, ofensiva que precede de poucos anos a derrocada do comunismo na Rússia.

Os dois Papas ontem canonizados desempenharam assim papéis centrais na história do Estado no século XX. Tanto basta para mostrar como eram exageradas as notícias da morte do catolicismo – exagero ontem confirmado pelas luzidas representações estrangeiras na cerimónia da praça de S. Pedro, luz a que Portugal preferiu não se associar, por isso que se representou ao mais baixo nível possível. Que estas palavras sejam lidas sem otimismos nem triunfalismos: ontem em S. Pedro celebrou-se o passado; o futuro trará por certo muita trapalhadda na relação entre o Estado e as Igrejas

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