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O Papa Francisco dá um terço a Francisco Hollande

Janeiro 27, 2014

IntegristadeUltradireitaApresentando ironicamente o Papa Francisco como «um integrista de ultradireita católica», salientando que está ao lado de Manuel Valls, o ministro do Interior francês, que usa essa expressão, Le Salon Beige, um blog católico francês muito à direita, faz chacota de Hollande a propósito do seu encontro com o Sumo Pontífice. É caso para consolar Le Salon Beige sobre o Papa, dizendo-lhe  como os franceses: À mauvaise fortune, bon coeur.

O Presidente François (Francisco)  Hollande encontrou-se a semana passada com o Papa Francisco. Na troca de presentes, o chefe de Estado francês ofereceu uma biografia de São Francisco de Assis –Bergoglio teve que recordar Francisco Hollande que o Poverello era o seu santo padroeiro – e o Sumo Pontífice retribuíu presenteando o presidente francês e a sua comitiva com terços e bentinhos.

É fascinante a troca destes presentes quando a República francesa atravessa no plano interno um dos momentos de maior tensão com o catolicismo político. Aliás,  violenta manifestação que ontem ocupou a rua de Paris contra Hollande tem como uma das suas componentes o catolicismo político tradicionalista.

É em primeiro lugar significativo que Hollande tenha mantido a tradição o presidente da 5ª República solicitar uma audiência privada ao Papa (apenas o Presidente Georges Pompidou se furtou ao ritual, para não provocar os herdeiros recentes de maio de 1968). O pedido de Hollande significa que a República continua a querer manter as boas relações com os católicos, embora sinta a necessidade de os afrontar no campo das questões de civilização, entre as quais avulta o casamento gay, mas onde se perfilam a eutanásia, o aborto, a educação gender. Perante isso, muitos católicos franceses crispam-se: mais de cem mil subscreveram uma carta, entregue ao Papa, acusando a República de os ostracizar; uma bomba explodiu numa igreja francesa em Roma, na madrugada do dia da visita; a identidade da igreja equivale à assinatura do atentado, aliás não reivindicado: igreja de São Ivo dos Bretões; a ação relembra que a violência continua a não estar excluída das relações entre o Estado e o catolicismo em França (relembra também que a violência religiosa não é um exclusivo muçulmano).

Hollande quis circumescrever as conversas às relações internacionais e à ecologia – o Papa Francisco escreve uma encíclica sobre o tema, foi agora anunciado – e deu a imagem de concordância com a Santa Sé no caso da Síria, das intervenções na África central, da garantia das minorias cristãs, da proteção dos Lugares Santos, de que a França se arroga protetora por tradição. A Santa Sé não desmentiu esta imagem de paz celeste, embora ela seja falsa, pois como é do domínio público, aliou-se à Rússia para proteger o regime sírio, que Hollande quer destruir; mas a Santa Sé corrigiu-a: o secretário de Estado, o futuro Cardeal Pietro Parolin, fez sentir a Hollande a necessidade de «escutar e dialogar» com os católicos franceses, Le Monde dixit, o que ecoa o manifesto dos cem mil . A Santa Sé informou  ainda que foram discutidas questões de bioética «dentro do contexto da defesa e da promoção da dignidade da pessoa humana». Ao garantir em público a continuação do diálogo institucional com o catolicismo, Hollande acabou por confirmar a diplomacia vaticana.

O gesto de Hollande reconciliá-lo-á com os católicos? Não, respondem 97% dos que se deram ao incómodo de responder ao inquérito em linha de Le Figaro, um diário conservador francês.

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