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Os Coptas apoiam a Separação do Estado e da Igreja no Egipto?

Janeiro 13, 2014

NatalCoptaMandadopeloPauloFontesAbdelSidarusA imagem acima é um cartão de Natal enviado aos coptas pelo Exército egípcio; o Natal copta foi celebrado a sete de janeiro, de acordo com o calendário juliano. À esquerda o general Sissi, à direita o Patriarca copta.  Os leitores de Estado e Igreja tomam conhecimento dele graças ao Prof. Paulo Fontes que lhe reenviou um correio eletrónico do Prof. Adel Sidarus. O cartão é explicado tanto pela conjuntura natalícia como pela conjuntura política. Com efeito, amanhã, 14 de janeiro, começa o referendo à nova constituição egípcia e em breve decorrerão as eleições presidenciais. Este antigo docente de Estudos Árabes e Islâmicos na Universidade de Évora, ele próprio cairota e copta, comenta a imagem: os coptas não sairão tão cedo do molde rígido» que os «revolucionários de janeiro de 2011» quiseram abolir.

No caso, o «molde rígido» é a aliança entre o regime militar egípcio e a comunidade copta, de que o cartão parece uma alegoria.  Esta aliança explica, sem justificar, que os fundamentalistas muçulmanos, quando conquistam o poder no Cairo, se apressem a não respeitar a liberdade religiosa dos cristãos. Todos temos presente os ataques de extremistas muçulmanos a igrejas coptas, durante o breve período de governo da Irmandade – e que em simetria explicam sem justificar a aliança entre coptas e militares nacionalistas. Além de em princípio ser desejável a separação entre a política e a religião.

É pensável que os cristãos no Médio Oriente tomem a iniciativa a separação entre o Estado e a Igreja?  Convém notar que estamos a falar de comunidades pequenas e em diminuição acelerada no Iraque, na Síria, mas tambem no Líbano e por certo em Israel. Os coptas são uma minoria religiosa mas não étnica; constituem uma das mais relevantes comunidades cristãs da região, mas não ultrapassarão os 8% da população. Ora uma minoria abaixo dos 10% só por exceção pesa no país em que se integra. Por isso, um livro intitulado «As 100 palavras chave do Próximo Oriente», de Alain Gresh e Dominique Vidal, editado em 2003 por uma casa séria, a Hachette,  não inclui a palavra «cristianismo», nem outras de sentido convergente (catolicismo, protestantismo, por exemplo). A questão hoje parece ser se o cristianismo sobreviverá na região em que nasceu o seu Fundador e não se ele a influenciará na sua arquitetura institucional. Vai neste sentido a marginalização dos maronitas no Líbano, na sequência dos acordos do Taef (1989).

Dir-se-á que os cristãos também eram minoritários quando nos anos 1950 re-arrancou o nacionalismo árabe e nem por isso deixaram de lhe oferecer  dirigentes como George Habache, o fundador da Frente Popular da Libertação da Palestina. Na altura, eram mais fortes os cristãos no Médio Oriente mas mesmo assim foram marginais no nacionalismo árabe de meados do século XX e tornaram-se notados por com frequência alinharem em movimentos árabes extremistas, de matriz marxista, e por isso alheios ao cristianismo como fundamento simbólico.

O facto é que as minorias cristãs não têm tornado audíveis as suas vozes  desde que a política de Washington colocou o Médio Oriente num turbilhão de reforma institucional. Terão espaço para isso? Se apoiarem regimes de separação do Estado e da Igreja, o Islão não os acusará de por isso serem agentes do imperialismo ou do sionismo? Devemos ter em conta que os cristãos árabes do Médio Oriente só em casos raros e insignificantes quebraram a solidariedade árabe contra Israel e esta solidariedade pareceu exigir por arrastamento a aceitação da hegemonia do Islão, sem espaço para a separação entre o poder e a religião. Dito de outro modo: quando os coptas apoiam o nacionalismo militar egípcio não estarão eles a ir o mais longe que lhes é possívelno caminho da desconfessionalização do Estado, tendo em conta os circunstancialismos egípicios?

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