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«Quenelle»: grosseria ou antissemitismo?

Dezembro 30, 2013

CaptureO jogador do meio, o Sr. Anelke, faz uma «quenelle»

O futebolista francês Nicolas Anelke joga no campeonato britânico;  sábado passado marcou um golo contra o West Ham e para celebrar fez uma quenelle, palavra francesa que traduz o alemão Knödel, uma espécie de almôndega – mas esta palavra sugere um objeto redondo, o que não ocorre com os termos francês e alemão. Na foto acima Anelka é o jogador do meio, barbudo e calvo; vemo-lo a fazer a dita quenelle:  o braço direito estendido, tocando o esquerdo.

Que tem isto a ver com as relações do Estado e Igreja? Já nos aproximamos da resposta se soubermos que Anelke dedicou o seu gesto a Dieudonné – e este é um cantor e humorista, autor de numerosas frases e pilhérias que muitos consideram antissemitas. Ora no passado dia 20 a Radio France anunciou que participaria à justiça as declarações antissemitas de Dieudonné sobre Patrick Cohen, o animador da sua emissão da manhã. Para muitos, a quenelle é o símbolo atual do antissemitismo. Por isso, o  Congresso Judaico Europeu pediu logo a suspensão de Anelke. Ora o judaísmo é uma religião.

No dia de Natal, seis rapazes judeus de Lyon, no sul da França, foram objeto de um inquérito judicial por concretização de «expedições punitivas» contra pessoas que acusam de terem feito na Internet a saudação quenelle. O seu propósito era por certo dramatizar a situação.

Conseguiram-no. O ministro do Interior francês, Manuel Valls, enviou sexta feira passada uma circular aos prefeitos, os representantes do governo nos departamentos, ordenando-lhes que procurem impedir os concertos da anunciada tournée do cantor, por ameaças à ordem pública; Valls considera que Dieudonnée «ataca de modo evidente e insuportável a memória das vítimas do Holocausto». Por isso, deveria deixar de beneficiar da liberdade de expressão. O Presidente Hollande apoiou o seu ministro.

Estado e Igreja está demasiado longe do palco daqueles acontecimentos para se aventurar a decidir se a quenelle é apenas um grosseria ou é um grosseria antissemita embora o bom senso recomende que, em matéria de perseguições, devemos supor que o perseguido tem razão, até prova em contrário.  Por isso, é razoável acreditarmos nos que nela vêem antissemitismo. Seja como for, o desequilíbrio dos atos descritos é preocupante e de mau agoiro. É um triste fecho de 2013.

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