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A «Encomenda Prodigiosa» A Capela Real de São João Baptista, na Igreja de São Roque >> Crítica à Parte II >>> Os Ouros e a Crise inteletual

Outubro 14, 2013

CapelaDeSJoãoBatistaIgrejadeSãoRoque

Capela Real de São João Baptista, na igreja de São Roque

Há quinze dias, Estado e Igreja comentou a parte I da exposição A Encomenda Prodigiosa, atributo dado às obras religiosas que o Rei D. João V mandou produzir a artífices romanos para a Patriarcal, sita na capela real do Paço da Ribeira, destruída pelo terramoto de 1755, e para a Capela Real de São João Baptista, na igreja de São Roque, a cargo da Misericórdia de Lisboa, que com o Museu de Arte Antiga organiza esta exposição. Essa parte I estava nas Janelas Verdes. A parte II é dedicada à Capela de São João Baptista, agora restaurada, e está ainda aberta ao público naquela igreja.

A exposição tem o mesmo rigor museológico da do Museu de Arte Antiga e as peças são mais suntuosas.  Algumas custódias  expostas raramente saem das igrejas que as abrigam. O espetáculo do ouo trabalhado é esmagador e deslumbrante. As legendas e a especialista informam-nos que o ouro  é quase todo prata dourada, mas que importa, gostamos de ser iludidos pela volúpia barrocva. As alfaias religiosas não são expostas, no que todos ficamos a perder. As legendas concentram-se no aspeto artístico ou religioso e por isso não se revestem do caráter  discutível, por vezes pedante, das da Janelas Verdes. O catálogo repertoria todas as obras expostas, bem fotografadas, entre outros, por Paulo Cintra e Laura Castro Caldas.

A «encomenda prodigiosa» foi colocada em 1742. Ao circularmos entre os ouros, é impossível deixarmos de pensar que nessa década a Inquisição perseguia os primeiros maçons de Lisboa, ao mesmo tempo que se expandia a jacobeia, um movimento de reforma católica. A maçonaria queria a tolerância religiosa e a jacobeia a purificação do catolicismo. Uma e outra espiritualidades chocar-se-iam por certo com o barroco que subjaz à encomenda – ou com o estilo carregado da capela de S. João Batista. Contudo, quando examinamos as peças da exposição, não rastreamos a presença destas duas espiritualidades críticas. Elas eram porém o começo de uma invisível e duradoura crise da consciência inteletual portuguesa – uma concretização da «crise de consciência europeia», diagnosticada por Paul Hazard.

O leitor ainda tem acesso à exposição, que fica aberta até ao próximo domingo. Ontem  à tarde havia poucos visitantes, pelo padrão da exposição parisiense, em que a mais insignificante caixa de esmolas atrai uma multidão sem fim. Lisboa é por certo a única cidade do mundo onde uma exposição de ouros fica semideserta. Mesmo estudantes das escolas havia pouco;  Estado e Igreja apenas viu um grupo deles.

Sobre a visita à exposição

http://www.museu-saoroque.com/pt/home/em-destaque.aspx

Sobre a jacobeia

https://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/1294/1/Elisa_Costa_p31-48_ARQhist14-15.pdf

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