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O Conselho da Europa incita-nos a violarmos a liberdade religiosa de Judeus e Muçulmanos >>> E um pós escrito sobre «Hannah Arendt»

Outubro 7, 2013

MedodaImigraçãoIlegalFonte – Estudo de opinião promovido pelo German Marshall Fund. Notas – Os inquiridos eram interrogados se estavam «preocupados» com a imigração ilegal. As colunas começam em 30%.

O leitor conhece as perseguições religiosas violentas tipo Paquistão (cristãos assasinados á saída da missa) ou nas zonas «libertadas» da Síria (sacerdotes católicos presos) mas talvez não esteja ao corrente das perseguições religiosas na Europa do Estado Democrático de Direito.

Há cerca de um ano, a Alemanha proibiu a circuncisãoviolando os direitos religiosos de judeus e muçulmanos, como Estado e Igreja noticiou. Terça-feira passada foi a assembleia parlamentar do Conselho da Europa a insistir na mesma tecla e com fundamentação convergente com a do tribunal de Colónia que atacou a liberdade religiosa: «O direito das crianças à integridade física», segundo o título dessa resolução.

A  Resolução 1952 (2013), do Conselho da Europa, de que só está publicada a «versão provisíória», compara a circuncisão masculina à mutilação genital feminina. A resolução foi votada pela assembleia do Conselho, formada por representantes dos diferentes parlamentos dos Estados-membros. A relatora da assembleia, a Srª  Marlene Rupprecht (Alemanha, social-democrata), declara que aquela  resolução «em caso algum estabelece um ‘paralelo ‘  ou uma ‘comparação’ entre a circuncisão e as mutilações genitais femininas». Para o leitor julgar, queira ler a seguir três citações da dita resolução:

  • «2. A Assembleia está particularmente preocupada por uma categoria particular de violações da integridade física das crianças, que os responsáveis destas práticas apresentam frequentemente como um bem para as crianças, a despeito de elementos representando manifestamente a prova do contrário. Estas práticas compreendem nomeadamente as mutilações genitais femininas, a circuncisão dos jovens por motivos religiosos (…)».
  • «6.A Assembleia recomenda vivamente aos Estados membros que sensibilizem as suas populações para os riscos potenciais que podem representar algumas das práticas acima mencionadas para a saúde física e mental das crianças (…)»
  • O nº 7.3 recomenda «estabelecer um debate público, incluindo um debate intercultural e interreligioso, a fim de extrair um largo consenso sobre o direito das crianças à proteção contra as violações da sua integridade física, tendo em conta os direitos humanos».

O ponto 2 liga pela conjunção  e «as mutilações genitais femininas» e «a circuncisão». É  pois falsa a afirmação da deputada Marlene Rupprecht que o Conselho da Europa não compara circuncisão e mutilação genital feminina; a recomendação votada sugere que esta seja imediatamente condenada e aquela só depois do tal consenso; é apenas uma modulação na gravidade da condenação que faz cair sobre ambas.O governo de Israel pediu  a retirada do texto. «Qualquer comparação entre a circuncisão e a prática condenável e bárbara das mutilações genitais femininas é no melhor dos casos sinal de uma ignorância consternadora e no pior é difamação e ódio antirreligioso», disse Yigal Palmor, do ministério dos Negócios Estrangeiros do único Estado sionista.

A  Resolução 1952 (2013), do Conselho da Europa, trata com inaceitável ligeireza e inegável brutalidade um complexo e delicado tema moral e religioso: os conflitos entre o direito à integridade física e  o direito à liberdade religiosa. Se é indiscutível que, por exemplo, os sacrifícios humanos são inaceitáveis, seja qual for a motivação invocada, mesmo a religiosa, se é certo que a mutilação genital feminina é em absoluto condenável – pois a ablação do clitoris ou de outras partes impede a plenitude da pessoa mutilada e conduz a uma verdadeira e irrecuperável deficiência física da pessoa que a sofre –, já a circuncisão é em absoluto irrelevante, pois consiste no corte do prepúcio, um pedaço de carne mais inútil do que as amígdalas. O Conselho da Europa nem sequer do ponto de vista médico argumenta com decência e metodologia rigorosa, pois dá por demonstrado o que está por provar: o malefício da circuncisão. A sinagoga defende a circuncisão com base em estudos da American Academy of Pediatric, demonstrando ser benéfica a circuncisão neonatal. Mas há outro argumento de peso: se a circuncisão fosse nefasta, os alemães nos anos 1930 e 1940 não teriam tido que tentar exterminar os judeus, pois a circuncisão já o teria feito por eles; se o argumento for que a circuncisão apenas enfraquece os circuncisados, como explicar que uns 70 milhões de alemães não tenham conseguido exterminar os cerca de dez milhões de judeus, habitantes dos territórios que o Reich germânico ocupava pelas armas, quando portanto desfrutava em relaçção aos judeus não só de superioridade numérica  mas também «legal»? E os muçulmanos também parecem longe da desaparição, apesar de praticarem em larga escala a circuncisão neonatal.

O certo é que o Conselho da Europa recomenda que, devido às suas práticas religiosas,  judeus e muçulmanos sejam postos no banco dos réus e tenham que se defender perante os restantes cidadãos, chamando a esse tribunal popular «debate». Last but not the least: o nº 7.3 exclui implícita mas expressamente a liberdade religiosa dos direitos humanos. Com efeito, o Deus dos judeus e dos árabes manda-os circuncisar os filhos machos; é portanto uma obrigação religiosa; ora o Conselho da Europa quer sobre essa obrigação religiosa impor um « debate intercultural … tendo em conta os direitos humanos»; só pode ter tal querer porque não considera um direito humano o cumprimento dessa obrigação religiosa. Para mais, nos termos da Resolução, esse debate tem um resultado conhecido: o fim da circuncisão. Isto é: judeus e muçulmanos são convidados a debaterem o melhor modo de violarem os seus deveres religiosos.

A contraprova que a Resolução 1952 (2013), do Conselho da Europa, visa apenas violar a liberdade religiosa é nunca se preocupar com outras origens dos ataques violentos às crianças: porque não se propõe monitorizar os pais e as mães bêbedos?  ou estabelecer a obrigatoriedade de testes psicossociológicos para a deteção precoce da tendência de exercer violência sobre crianças? Porque assumiria uma posição declaradamente totalitária, totalitarismo que a lógica antirreligiosa por um momento parece suspender para os cidadãos mais desatentos. E porque o bem-estar das crianças em concreto é-lhe tão indiferente como a boa saúde dos lamas que pastam nas serranias do alto Perú.

Interpretada à letra, a resolução do Conselho da Europa permite internar administrativamente os homens judeus e muçulmanos, por em crianças terem sido enlouquecidos pela circuncisão. A União soviética comunista de Brejnev criara o precedente desses internamentos não judiciais dos seus opositores, classificando-os também de doentes mentais.

Vários sinais apontam para um reforço da perseguição religiosa na Europa. Estado e Igreja não pensa nos ataques ao Islão, confundindo-o com o terrorismo – que são aliás um elemento  de peso no capítulo da liberdade religiosa. Pensa, sim, nos ataques europeus ao cristianismo. Já no começo de setembro, em plena campanha eleitoral, a polícia alemã assaltou uma comunidade protestante, a Igreja das Doze Tribos, sob o pretexto que nesse grupo os pais batiam nos filhos. Não foi apresentada a menor prova para tal acusação e depois desse ataque cessaram as notícias sobre o caso na comunicação social europeia. Há dia, em Inglaterra, o exemplo alemão já incitou à perseguição religiosa  contra a Igreja das Doze Tribos. O pretexto é o mesmo do Conselho da Europa: proteger as crianças. Na ocorrência, proteger as crianças significa retirar o poder educativo aos pais para o entregar ao Volk (povo), tão querido do nacional socialismo alemão – Volk que hoje usa na Alemanha outras designações (por exemplo: proibição da escolaridade doméstica, Jugendamt – a chamada «Repartição da Juventude»um organismo que apenas existe na Alemanha). Isto é: como sempre, o ataque à liberdade religiosa implica o ataque a outras liberdades.

A Resolução 1952 (2013), do Conselho da Europa, será sobredeterminada pelo racismo? A maioria dos cidadãos na Alemanha e em França considera estrangeiros os muçulmanos e provavelmente os judeus, ou parte destes. Hoje, a identificação da religião com a etnia ou com a civilização é um dos elementos mais perigosos para a vida da humanidade. As cenas trágicas ocorridas a semana passada ao largo da ilha de Lampedusa obrigam-nos a refletir um pouco nessa hipótese. Os dados mais recentes mostram que para lá dos Pirinéus cresce a preocupação com a imigração ilegal. O leitor por certo não ignora o sentido religioso e étnico da frase «imigração ilegal».

Ao que Estado e Igreja sabe, o projeto dessa resolução nunca foi debatido, nem sequer divulgado em Portugal. Como terão votado os nossos representantes nessa instituição? É claro  que a Resolução 1952 (2013), do Conselho da Europa,corresponde ao atual plano estratégico da Alemanha, ou de forças dominantes na Alemanha: visa criar espaço de manobra para a manutenção da sentença do tribunal de Colónia que, invocando supostos motivos de saúde, proibe a circuncisão – proibição que, apesar das promessas, ainda não foi anulada – e por essa via usar a arma biológica para dominar a União Europeia, para tanto violando os direitos humanos que se lhe oponham. Será que Portugal pode ser um Estado em pré-bancarrota e manter a Lei de Liberdade Religiosa? Quem diz Portugal, diz os países que o Euro transformou em regiões periféricas e deficitárias para todo o sempre.

*

Para compor o ramalhete: está em exibição em Lisboa o filme Hannah Arendt uma coprodução gemarno-francesa, da realizadora alemã Margarethe von Trotta, uma das mais maçadoras realizadoras de cinema alemãs. A Srª Arendt, ela própria uma autopropagandeada judia,  teve há meio século o seu momento de fama por duas razões: atacou o totalitarismo (The Origins of Totalitarianism) e, por ocasião do processo Eichmann, acusou as comunidades judias alemãs de terem colaborado com o Holocausto. O leitor quer deitar-se a adivinhar qual dos dois temas, o totalitarismo ou a colaboração judia, é tratado no filme? A palavra totalitarismo é pronunciada duas vezes durante o filme.  Leu bem: duas vezes. Hannah Arendt  é a versão sobre o Holocausto dada pela Alemanha credora dos primeiros anos do século XXI. Os responsáveis do Holocausto são em primeiro lugar os chefes judeus alemães, a seguir os franceses, e depois a conspiração sionista mundial; por fim um monstro horroroso, descoberto pela srª Arendt, a «burocracia»; no filme a personagem Hannah Arendt diz recear ser expulsa dos Estados Unidos por ter publicado o livro Eichmann in Jerusalem. Para quem ouviu a propaganda nazi, ainda muito forte na cultura popular da Alemanha contemporânea, fica confirmado que os judeus dominam o mundo às ocultas e querem destruir a Alemanha.

Os espetadores do filme  não sabem se a película é a favor dos judeus ou dos nazis – mas custa-lhes a crer que seja a favor dos nazis e por isso saiem  da sala um pouco sem jeito. Depois de vermos filme da Srª von Trotta, é como se todos (judeus, franceses, etc) fossem responsáveis pelo Holocausto, exceto os alemães – que, claro, financiaram o filme, ao que parece como sócios maioritários. A fita está em exibição no El Corte Ingles (UCI Cinemas) e no Medeia Monumental.

O filme caricaturiza os judeus americanos que criticaram Hannah Arendt quando ela publicou Eichmann em Jerusalem. O filme mostra judeus, e só judeus, a perseguirem a Srª Arendt – apresentando-a como judia perseguida não pelo nazismo (quem a prendeu foram os franceses) mas pelos inimigos da verdade que recusam identificar os verdadeiros responsávveis do Holocausto (ver acima) e atribuem essa ocorrência aos pobres alemães. Se o leitor quiser ouvir as duas partes, Estado e Igreja  sugere-lhe que consulte o livro abaixo:

HannahArendtQuarto

*

A  Resolução da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa está disponível em

http://assembly.coe.int/nw/xml/XRef/X2H-Xref-ViewPDF.asp?FileID=20174&lang=fr

A página de propaganda da Srª deputada Marlene Rupprecht, página paga com os impostos do leitor, está disponível em

http://assembly.coe.int/nw/xml/News/News-View-FR.asp?newsid=4692&lang=1&cat=133

Notíciário sobre a perseguição às Doze Tribos na Alemanha

http://www.theguardian.com/world/2013/sep/06/children-christian-sect-police-raids-twelve-tribes

Notíciário sobre  a tentativa de perseguição às Doze Tribos em Inglaterra:

http://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/twelve-tribes-community-nspcc-demands-police-inquiry-into-christian-sect-that-canes-children-8847622.html

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