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Reino Unido: Governo Autoriza Casamentos Gay nas Igrejas >>> A Maioria Opõe-se

Dezembro 11, 2012

ParlamentoLondresO Parlamento britânico prepara-se para autorizar – ou obrigar? – as Igrejas a celebrarem casamentos gay.

Sexta-feira passada, o governo britânico anunciou que autorizaria o casamento gay nas igrejas. O plano será em breve anunciado e recebeu o apoio de David Cameron, o conservador que dirige o governo de Londres.  Foi anunciado que os templos (igreja católicas ou anglicanas, templos protestantes, sinagogas, mesquitas) seriam livres de recusarem celebrar esses casamentos. Esta decisão é uma reviravolta: março passado, o governo britânico anunciara  a próxima introdução do casamento gay, mas dele excluíra as Igrejas. O governo não imporá disciplina de voto no parlamento.

Todas as grandes confissões religiosas representadas parecem estar divididas a esse respeito. Os anglicanos (Church of England) estão divididos; ignoramos as exatas proporções dessa divisão, mas só celebrarão essas uniões se o Sínodo Geral as aprovar, o que não parece  provável, dada a atual disposição de preferências. Os católicos são contra em massa. Faltam informações rigorosas sobre sobre os muçulmanos britânicos, mas tudo leva a crer que sejam contra. O judaísmo está dividido, sendo a favor as sinagogas reformada e liberal. Unitários e quakers são a favor e aliás já celebram casamentos gays nos seus templos, desempenhado os seus ministros as funções de funcionário do registo civil, graças a uma recente autorização legislativa.

Alguns anglicanos  consideram enganadora a autorização para cada templo em concreto escolher a sua posição, por estarem persuadidos que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, do Conselho da Europa, compelirá os recalcitrantes a celebrarem casamentos  gays.

A maioria dos anglicanos e dos católicos consideram que os conservadores traíram uma promessa e, em aliança com os liberais, preparam-se para legislar num assunto crucial sem o terem submetido ao eleitorado. Está assim em gestação adiantada um conflito entre o Estado e as Igrejas no Reino Unido.

Parece provável que o Estado procure pressionar as Igrejas britânicas. Essa pressão estaria longe de ser inédita.  Vejamos um exemplo recente. O Sínodo Geral da Igreja Anglicana no Reino Unido recusou a sagração episcopal às  mulheres.  Dias depois, a 23 de novembro,  Mary Miller, a ministra que pilotará o processo legislativo do casamento gay, numa entrevista ao conceituado diário liberal The Guardian,  declarava-se «desiludida» com a decisão e, embora reconhecendo à Igreja direito de escolher a sua posição, pressionava-a a ajustar-se aos valores defendidos pelo governo.

A 21 de novembro, o Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra (Church of England) rejeitara por uma pequena diferença a sagração episcopal de mulheres. O Sínodo Geral desdobra-se em três assembleias: dos bispos, do clero e dos leigos. Na dos bispos, a maioria  pela ordenação episcopal feminina foi esmagadora: 44 a favor, com duas abstenções, 3 contra; na do clero foi menor: 148 a favor, 45 contra; na dos leigos foi ainda menor: 132 e 74. A decisão só teria sido aprovada se tivesse sido votada por uma maioria de dois terços naquelas três assembleias.

O caso britânico permitirá verificar em que condições é possível a coexistência de práticas opostas entre um Estado e as igrejas maioritárias no país a que pertence esse Estado. Em plena Europa.

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