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Face à Crise Económica, Convergência Catolicismo-Maçonaria

Abril 26, 2012

A imagem acima dá uma visão dramática e romântica das relações entre o catolicismo e a maçonaria

No passado dia 21 de março, num almoço do American Club, em Lisboa, o grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal (GLLP), José Moreno: afirmou: “Um maçom não deve, nem pode, promover o desemprego para proteger margens de lucro.” No passado dia 23 de abril, falando na Associação Cristã de Empresários e Gestores, o  bispo do Porto, D. Manuel Clemente, «sublinhou que há nos empresários a preocupação de não despedir, e confessou que alguns até lhe lamentam “serem obrigados a despedir”». As citações foram retiradas da imprensa diária.

É interessante que a atual crise económica, financeira e social suscite aquela convergência entre o catolicismo e a maçonaria, duas organizações que  tantos vêem como antagonistas. É certo que a maçonaria regular não é a obediência maçónica mais representativa entre nós, mas não conhecemos orientações de sentido oposto emanadas do Grande Oriente Lusitano (Gol). Com efeito, o seu atual grão-mestre, Fernando Lima, na mensagem proferida no dia da tomada de posse, a 24 de Setembro do ano passado, não se esqueceu de referir  o «altruismo», entre as metas.   É também certo que as duas frases citadas não resumem a doutrina de ambas aquelas instituições. Por exemplo, D. Manuel Clemente afirmou naquela ocasião:  «Caridade é elevar a solidariedade ao ponto que Cristo a elevou». Mas, colocado em circunstância semelhante, um maçon  também  elogiaria a filantropia, ou o altruismo. Não estamos a proceder a uma comparação sistemática entre aquelas duas instituições, catolicismo e maçonaria, limitamo-nos a sublinhar uma convergência significativa em termos de doutrina social.

Anotemos dois tópicos:

  • Instituições com uma vocação espiritual continuam a procurar ordenar a vida económica, apesar da crescente divisão social do trabalho;
  • A convergência em evitar o desemprego parece-nos inevitável mas não o é: a ética da salvação que Max Weber atribui ao protestantismo em geral e ao calvinismo em particular recomendaria a criação de riqueza e não a conservação de empregos, quiçá subsidiados, que consideraria caridadezinha. Sendo evitável, a convergência tem mais sentido.
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