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A Religião nas Presidenciais dos Estados Unidos

Abril 11, 2012

Rick Santorum, o candidato a candidato republicano que tentou levar a religião para o centro da política norte-americana

O papel da religião nas eleições presidenciais norte-americanas é um fato, que prolonga e acentua tendências nascidas no final do século passado. O Presidente Barack Obama acelerou-as quanto no começo deste ano tentou obrigar as instituições católicas a pagarem o controle de natalidade das suas funcionárias e funcionários. Barack recuou depois mas o mal estava feito e a hierarquia católica endureceu as suas posições. Por isso, os eleitores de religião católica estavam mais dispostos a votarem num candidato republicano que está a ser escolhido em eleições primária. Rick Santorum, que estava marginalizado depois de ter perdido estrondosamente as eleições para senador da Pensilvânia, percebeu esta brecha e entrou por ela, apresentando-se como católico. A sua campanha, partida do nada e com pouco dinheiro,  teve certo êxito e durante algum tempo ameaçou Mitt Romney, o mais votado nas primárias para candidato presidencial republicano: tem 252 delegados, contra os 645 de Romney e os 126 do célebre Newt Gingrich, que presidiu à Câmara dos Representantes.

A linha  de Santorum foi a defesa da religião, que ele considera perseguida na América. A 27 de Fevereiro, o Washington Post afirmou  em editorial que ele era inadequado a Presidente por «insuficiente respeito» pela separação entre o Estado e a Igreja. Com efeito, Santorum condenara John Kennedy, o primeiro católico eleito Presidente dos Estados Unidos, por ter dito que não misturaria a sua fé com a política e declara que em 2011 estava em curso nos Estados Unidos «uma guerra à fé do povo – em especial à fé católica». O Post considerava falsa esta última asserção e tinha a primeira por contrária à separação.

Santorum pegou sobretudo nos temas da defesa da família, da condenação do casamento gay e do aborto e conseguiu coligar numerosos eleitores católicos com os fundamentalistas protestantes. Contudo, Santorum só conseguiu uma minoria de católicos, ainda que substancial: 37% no Michigan e  31% no Ohio; Romney obteve 44% em ambos aqueles estados, segundo as sondagens à saída da votação. Devemos anotar que é também católico outro participante nas primárias republicanas,   Gingrich. Romney deveu as suas vitórias naqueles estados aos católicos, porque em ambos esses estados eles preferem a agenda social à agenda dita dos valores. A mensagem de Santorum passou ainda melhor entre os protestantes: Santorum bateu Romney em todos os estados em que os evangélicos são a maioria do eleitorado republicano e perdeu em todos os estados em que são a minoria.

Santorum acaba de desistir de concorrer. Mas suspendeu a sua campanha, em vez de renunciar à candidatura. Esta suspensão significa que os seus representantes eleitos nas primárias não dispõem da liberdade de voto. Santorum quererá por certo influenciar Romney: entre os republicanos, uns defendem que ele procure agora agradar ao eleitorado não evangélico e outros sustentam que deve unir-se a ele. Seja como for, a derrota de Santorum é a derrota dos que tentam politizar a religião e clericalizar o Estado.

 

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