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O Presidente Obama Reintroduz a Questão Religiosa nas Eleições Presidenciais Norte-Americanas

Fevereiro 15, 2012

Uma recente caricatura católica apresenta os católicos a favor de Obama como Judas, recebendo da morte as trinta moedas de prata.

A 20 de Janeiro passado, a Administração Obama anunciou a sua decisão final  sobre a questão  de obrigar os empregadores s a pagarem  aos seus empregados o seguro de saúde que cobre esterilização, contracetivo  e abortivos. A nova política fora anunciada em Agosto e já a tínhamos referido neste blog, no balanço de 2011. Esta nova política destina-se a poupar dinheiro ao Estado e às seguradoras: pagar a pílula é mais barato do que pagar abortos e suas consequências.

Obama não isentou dessa obrigação as universidades, hospitais e instituições de beneficência católicas. Dias depois, a 29 de Janeiro, os bispos católicos dos Estados Unidos mandaram ler na missa dominical em todas as igrejas uma pastoral sua, censurando em termos veementes a recente aquela decisão do Departamento de Saúde. Aquelas instituições perderiam o dinheiro federal se não aceitassem a decisão; se aceitassem, perdiam a cara.  Num blog do Washington Post, Michael Gerson acusou Obama de «tratar como tontos os seus aliados católicos». Newt Gingrich, candidato a candidato republicano à Casa Branca, citou a carta, para atacar Obama e o seu rival republicano Mitt Romney. A decisão foi aliás criticada por um verdadeiro coro de numerosos Democratas e de todos os Republicanos. Estes acusavam o Presidente de declarar guerra à religião.

A 20 do corrente mês de Fevereiro, a imprensa anunciava que o Presidente Obama tinha recuado na sua proposta: se houvesse oposição de natureza religiosa à distribuição de contracetivos e abortivos, a mulher procuraria ela própria um seguro de saúde com esse objetivo. Em editorial, o Washington Post também aplaudiu, mas salientou que o  recuo só seria exequível se as seguradoras aceitassem cobrir o risco. A Catholic Health Association emitiu logo um comunicado aplaudindo o recuo.

Mas, segunda-feira passada, os bispos rejeitaram a nova proposta,  por continuar a interferir na gestão interna das instituições religiosas, e ser “uma ameaça de coação para as pessoas e grupos religiosos forçando-os a violar suas crenças mais arreigadas”; Obama continua a manter o financiamento do aborto nas leis federais, o que os bispos americanos rejeitam;  “obrigar que os planos de seguro cubram o aborto viola as atuais leis federais de consciência”; os bispos rejeitam que prevenir a gravidez seja o mesmo que prevenir uma doença. Se quiser, veja mais no link abaixo:

Permalink: http://www.zenit.org/article-29694?l=portuguese

A iniciativa do Presidente Obama  vai no sentido das últimas mudanças no comportamento do eleitorado dos Estados Unidos: a esquerda, os democráticos, votam contra a religião, e a direita favorece-a. É um padrão bem conhecido na Europa continental, mas até há pouco ignorado no mundo anglo-saxónico. O problema é que os democráticos são por tradição o partido dos católicos e,  sem o voto deles, por certo perderão as eleições. O assunto continuará a dar que falar. É certo que um dos grandes temas da campanha presidencial será a atitude em relação à religião. Anotemos o vigor dos bispos norte-americanos, desconhecido ou pouco comum na Europa ocidental.

O gráfico mostra que a pastoral anti-Obama dos bispos católicos está a resultar, mas devagar e sem excesso de entusiasmo; fez-lhe perder três pontos percentuais do eleitorado, segundo a Gallup

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