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Comentando o Comentário ao Relatório sobre as Relações Estado Igreja

Janeiro 18, 2012

Uma desiludida com a Primavera Árabe

Respondemos hoje ao interessante comentário da Drª Margarida Ponte Ferreira ao texto do Relatório sobre as Relações entre o Estado e a Igreja no Mundo em 2011, que o leitor pode reler abaixo. Concentrar-nos-emos nos cinco tópicos seguintes, que nos parecem mais relevantes:

• A mudança nas relações Estado-Igreja na Europa;

• A questão da Primavera Árabe

• Sarkozy e a politização do catolicismo

• A questão da pedofilia

• A Religião de Estado na Noruega.

A Drª. Margarida Ponte Ferreira escreveu: «a afirmação de que há uma evolução das relações Estado-Igreja a favor da religião está magramente fundamentada: não é uma sentença do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos» que a fundamenta (dado que não escrevíamos um um texto jurídico, tínhamos referido o tribunal do Conselho da Europa, mas a simplificação terá sido excessiva).

 Um relatório é um relatório e não uma lição de agregação. Aquele Tribunal tem um grande peso moral e deu uma reviravolta radical. Pareceu-nos que, embora a benefício de inventário, o caso devia ser assinalado como eventual ponto de viragem. Além dele, registámos a evolução em França, que ia no mesmo sentido: naqueles casos, a religião passa do altar para o solo e para o sangue. O relatório propunha uma chave de leitura e não uma conclusão fechada.

A Drª. Margarida Ponte Ferreira escreveu: «A questão da Primavera Árabe e dos regimes subsequentes : não me parece garantido que os regimes que aí possam vir sejam mais “Estados de Direito” do que os que estão a desaparecer (recordemos os casos anteriores do Irão pós Xá e do Afganistão dos talibans)..»

 Concordamos inteiramente. O risco de a liberdade religiosa piorar é recordado pela informação sobre a perseguição à Comunidade Bahá’í no Irão pós-Primavera de Khomeiny, que publicámos a semana passada.

A Dªr. Margarida Ponte Ferreira escreveu: «É afirmado que Sarkozy tem politizado o catolicismo. Não estou certa. Vejo as iniciativas dele mais no sentido de amenizar a “questão religiosa” em França do que de previlegiar uma religião».
 Este tese é exata, mas esse esforço foi sobretudo feito em anos anteriores. A tese da politização do catolicismo é compatível com ela, tanto mais que essa politização não dá a esta religião a menor vantagem.

A Drª. Margarida Ponte Ferreira escreveu: «O tratamento da questão da pedofilia parece-me um pouco condescendente».

 O tratamento procurava apenas evitar o politicamente correto e a indignação fácil, de bater com a mão no peito dos outros. Um relatório quer-se razoavelmente neutro e por isso não é a sede adequada para a exteriorização dos sentimentos do relator. O tema foi comentado por ser relevante. Pressupomos que há no capítulo da pedofilia uma diferença comportamental entre os catolicismos norte-americano, austríaco ou irlandês e os latinos – e não apenas uma maior diligência investigativa anglo-saxónica. A nossa polícia é inferior ao Fbi, mas, para escândalos de costumes, a nossa imprensa não fica atrás do Washington Post. Além do conhecimento que julgamos ter das estruturas e comportamentos do catolicismo português, por exemplo. O exame dos fatos conhecidos pareceu-nos mostrar que a pedofilia é infelizmente um problema de civilização e não apenas um problema do catolicismo, como por vezes é propagandeado; em rigor, parece ser sobretudo um problema de alguns catolicismos. Concluamos esta secção com uma nota metodológica: relatório tem por objeto as relações Estado-Igreja e não a vida interna das Igreja e por isso não refletia sobre o efeito da pedofilia no funcionamento do catolicismo.

 

A Drª. Margarida Ponte Ferreira escreveu: «Na Noruega e segundo a Constituição a religião luterana é uma religião do Estado».

 Obrigado pelas informações. Muitos pressupõem que a separação do Estado e da Igreja está em vigor em toda a Europa, e parece não ser assim. Ou que, na vida social, a religião de Estado é hoje igual ao regime separatista. Pelos vistos, não é. Eis um tema a aprofundar. Há uns anos Estado e Igreja estudou a reforma do estatuto da Igreja Luterana naquele país e, lendo o site luterano oficial, pouco ou nada compreendeu; terá sido por o quadro conceptual do regime de fusão Estado-Igreja lhe ser estranho (http://www.kirken.no/english/).

Obrigado Drª. Margarida Ponte Ferreira! Volte sempre.

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