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Novidades Sobre S. Vicente, Padroeiro de Lisboa

Dezembro 22, 2011

S. Vicente, o padroeiro de Lisboa (o padroeiro é ele, não é Santo António, como tantos julgam), passa muitas vezes por um santo puramente mítico. Não seria de esperar algo de diferente no caso de alguém cujas relíquias entraram na Sé Catedral no longínquo ano de 1173, cerca de um quarto de século depois da conquista cristã da cidade de Lisboa, e está associado a uma lenda de contornos hoje nem sempre verosímeis.

Aires A.Nascimento, professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras de Lisboa, acaba de lhe consagrar o livro cuja capa reproduzimos acima. O mais extraordinário nesta obra é revelar um documento inédito que é a mais antiga atestação do culto litúrgico de S. Vicente, hoje celebrado a 22 de Janeiro. Primeiro conclusão: o santo lendário ainda mexe.

Aires A.Nascimento coloca a sua análise em termos de estudo da legenda, «aquilo que é dado a ler», e de exame cuidadoso da bibliografia secundária e dos documentos escritos em latim sobre S. Vicente os quais são os decisivos pela antiguidade e pela autoridade. O mais antigo, o do mestre Estevão, escrito pouco depois da data da trasladação, acima referida, o que reforça a convicção da historicidade do culto e talvez das relíquias. Nascimento não escreveu um livro de história e por isso não analisa o problema, por certo sem solução historiográfica, de saber se as relíquias são do santo que teria sido morto nas perseguições de Diocleciano.

O livro é um estudo positivo, quase positivista no bom sentido da palavra, equivalente a minucioso rigor;  descreve e estuda os milagres que lhe são atribuídos e a transcrição deles tem o encanto da Legenda Aurea; analisa ainda a liturgia vicentina na diocese de Lisboa, apoiado em numerosas gravuras intrapaginais.

No final, Aires A.Nascimento recolhe os documentos originais sobre S. Vicente, nos seus originais latinos, por ele cuidados, e na tradução que deles fez.

Sublinhemos que a legenda de S. Vicente, como aliás assinala Aires A.Nascimento, é um dos primeiros textos portugueses de teologia política e como tal deve também ser analisado e estudado, pois esta na origem de Portugal como Estado independente.

Só por ser uma edição bilingue, latim-português, espécie tão rara entre nós, devia ser esta obra assinalada. Acresce a sua qualidade.

O autor merece uma palavra de parabéns não só por esta obra, que lemos também com gosto como a história do culto lisboeta do santo, mas também pela sua operosidade, sempre com elevada qualidade: nos últimos tempos publiou uma excelente e rigorosa biografia do Santo Condestável e coordenou uma obra testemunhal e memorialística sobre o Seminário dos missionários da Boa Nova, em Valadares, a que Estado e Igreja dedicou uma recensão.

A obra é editada pelo Centro de Estudos Clássicos (centro.classicos@fl.ul.pt) , como o leitor pode ler na capa acima publicada, com o apoio da Reitoria da Universidade de Lisboa, à qual esse Centro pertence. Será estranho uma universidade pública editar um texto religioso? Bom, o texto releva da mais antiga cultura portuguesa e a obra é científica. Mas haverá outra causa mais eficiente: se o leitor examinarcom atenção a contracapa, a seguir, verá que o emblema da Universidade incorpora a lenda de S. Vicente, com nau e corvos. E a ilustração reproduz o painel da aula magna da reitoria, consagrado à lenda do Santo, e pintado em 1961 por alunos da Escola António Arroyo, sob a orientação de Lino António.

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  1. Maio 13, 2012 9:30 pm

    El Camino de San Vicente Mártir es un camino histórico de Roda de Isábena a Valencia que rememora los pasos de San Vicente Mártir , patrón de Valencia, cuando en el siglo IV fue apresado en Zaragoza junto al Obispo Valero por los soldados romanos enviados por el Cónsul Daciano y trasladado a Valencia para sufrir martirio ante la negativa a renunciar a su fe. Así la difusión del conocimiento de este hecho provocó en los siglos siguientes una corriente de peregrinaciones desde toda Europa hasta Valencia para visitar los restos del mártir en San Vicente de la Roqueta, convirtiéndose este fenómeno en algo muy anterior a las peregrinaciones medievales a Santiago de Compostela, desarrollado por Via Vicentius.

    http://viavicentius.blogspot.com
    http://www.caminodesanvicentemartir.es

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