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«Peregrinação às Fontes»: O Estado Questionado pelo Pacifismo Gandhiano e Cristão de Lanza del Vasto

Outubro 12, 2011

A Peregrinação às Fontes, de Lanza del Vasto, foi há pouco editada em
português pelas edições Sempre em Pé, de José Carlos Costa Marques. O livro será
em breve lançado em várias cidades e, no final deste post, o leitor encontra as informações relativas a cada sessão. Antes, tem à sua disposição uma breve recensão.

Lanza del Vasto (1901-1981) foi um filósofo católico italiano que em 1936 peregrinou à Índia, e aí encontrou Gandhi, a cuja filosofia da não violência aderiu; também aí teve  uma iluminação, que o mandava regressar à Europa; no retorno a Itália, pelo
canal do Suez, falhou uma peregrinação a Jerusalém; finda a Segunda Guerra
Mundial, fundou uma comunidade, a Arca, consagrada à não-violência, ao diálogo
interreligioso e ao ecologismo; desenvolveu depois acções pacifistas com alta
visibilidade, apoiadas em jejuns simbólicos.

Nos anos 1960, Lanza era conhecido n’ O Tempo e o Modo devido à admiração que António Alçada Baptista lhe consagrava. Aliás, a primeira badana desta Peregrinação às  Fontes cita o fundador daquela revista: Alçada declara-se impressionado por  Lanza ter sido, «de entre os vários ‘profetas’ do meu tempo»,  «o único» entre os seus conhecidos  «que acompanhou o seu pensamento com a sua maneira de viver». A «maneira de viver» aludia ao peregrino descalço do Ganges e a frase revela alguma desnecessária má-consciência do burguês da Covilhã  que foi um dos principais obreiros da oposição à autocracia de Salazar – e que aliás se arruinou para desenvolver essa acção; sem o glamour  de Lanza, António Alçada tinha o direito de lhe pedir meças em matéria de coerência. Próximo de Lanza aparecia então Danilo Dolci, também italiano, católico e pacifista; beneficiava de culto paralelo ao de Lanza e a Livraria Moraes começou em 1964 a traduzir as obras do católico siciliano que combatia a Mafia e a opressão com a não violência cristã. Mais tarde, depois do 25 de Abril, em 1978 e 1979, Lanza veio a Portugal, onde actuava um pequeno e activo  núcleo de seguidores seus, durante anos animado por Manuela Bio Lourenço.

Para a geração d’ O Tempo e o Modo, nos anos 1960, Lanza e Dolci eram em primeiro lugar relevantes porque o seu pacifismo de matriz católica questionava a passividade católica face à guerra colonial.  Nesta perspectiva, é curioso anotar que Lanza começa a sua peregrinação pacifista à Índia poucos meses depois de a Itália fascista ter iniciado a guerra de conquista da Etiópia, mas este livro nunca escreve  a palavra Etiópia.

Lanza del Vasto levanta  um problema crucial na relação da Igreja com o Estado: o da não violência. E coloca a dimensão hindu ao serviço desta filosofia terrestre, ao passo que outro indianólogo conhecido, Raimon Panikkar, recorre a ela para repensar a dimensão teológica e trinitária do cristianismo.

Peregrinação às Fontes é ao mesmo tempo um livro erudito de viagens à Índia nos anos 1930, uma introdução ao hinduísmo como religião, uma apresentação do gandhismo como filosofia social e o itinerário de uma alma viajante no sentido terrestre e no outro. É pois um livro com quatro  leituras. Lanza escreve com uma simplicidade desarmante e a estranheza de muitas das experiências descritas torna a leitura aliciante e muitas vezes saborosa. O que escreve sobre Goa, apesar de algumas inexactidões, terá um significado particular para os leitores portugueses. A tradução de Helena Santos C. Langrouva é fluída, ainda que por vezes colorida por frases estranhas, como os «casebres de lama» (p.35).  A edição é valorizada por um glossário-índice remissivo que facilita a reconstituição da religião hindu, e por um mapa das pereginações indianas de Lanza.

A página da editora de Peregrinação às Fontes é

http://www.sempreempe.pt/

LANÇAMENTOS
de PEREGRINAÇÃO ÀS FONTES

DE
LANZA DEL VASTO

E

Apresentação
da ARCA DE LANZA DEL VASTO

17
a 22 de OUTUBRO de 2011

 LISBOA
17 de Outubro | 18h – Apresentação da Arca de Lanza del
Vasto 
por Michèle Le Boeuf,
responsável internacional
LOCAL: Centro Nacional de Cultura –
Galeria Fernando Pessoa –  Largo do Picadeiro, Lisboa
mais informações em  www.cnc.pt
 ÉVORA
18 de Outubro | 15h30m – Lançamento de Peregrinação às Fontes de Lanza del Vasto seguida de
apresentação da Arca de Lanza del Vasto
 –
com Michèle Le Boeuf, António Cândido Franco, Armando Martins (da
Universidade de Évora), Helena Langrouva (tradutora) e o editor J.C. Marques
de Edições Sempre em Pé
LOCAL: Universidade de Évora –Biblioteca
–  Largo dos Colegiais, Évora
 LISBOA
19 de Outubro | 18h30 –
Lançamento de Peregrinação
às Fontes – 
com
Guilherme d’Oliveira Martins, Fr. Bento Domingues OP, Fr. Rui Grácio das
Neves OP, Michèle Le Boeuf e Helena Langrouva
LOCAL: Museu do Oriente:
Avenida Brasília – Doca de Alcântara (Norte), Lisboa
 PORTO
22 de Outubro | 15h30m –
Lançamento de Peregrinação
às Fontes
 de Lanza del
Vasto seguida de apresentação da Arca de Lanza del Vasto 
 com Michèle Le Boeuf, Fr.
Pedro Fernandes OP (do Centro Paroquial Cristo-Rei), Fr. Rui Grácio das Neves
OP e Helena Langrouva
LOCAL: Centro Paroquial de
Cristo-Rei 

Rua Santa Joana Princesa, nº 38 – Porto
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