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A Crise nas Relações Estado-Igreja em Janeiro de 1912

Maio 24, 2011

Em Janeiro de 1912, os católicos recearam que o governo da República portuguesa lhes fechasse as igrejas e os republcianos recearam que os párocos fizessem greve às missas e amotinassem o povo contra a República.

Os laicistas identificavam os católicos com os monárquicos. Os monárquicos procediam da mesma forma , considerando que a monarquia deposta continuava a representar o catolicismo em Portugal – com o apoio de alguns bispos. Os monárquicos manifestaram-se numa cerimónia religiosa, em S. Vicente de Fora, lançando vivas a D. Manuel II, como resposta à pena de desterro aplicada ao Patriarca Mendes Belo. Os republicanos reagiram com razoável moderação. A excelente caricatura d’A Capital, de 3 de Janeiro de 1912, mostra a Guarda Republicana a proteger os monárquicos da multidão republicana, ausente da imagem, mas que denunciara o feito; de dentro da igreja saem gritos monárquicos; era uma crítica laicista à moderação governamental.

António Macieira, o ministro da Justiça do segundo governo constitucional, era um afonsista que agiu com rara dureza contra o catolicismo; poucas semanas depois de ser poder, tinha desterrado todos os bispos residenciais, acusando-os de  terem condenado as cultuais. A caricatura d’A Capital, de 18 de Janeiro de 1912, sugere que os prelados eram impopulares – mas não dá um boa nota à sinceridade do advogado. O ministro cofia a cabeça – triste, pois já não há mais medidas a tomar contra os bispos, o que revela uma fronteira implícita no laicismo da época.

Em Janeiro de 1912, os laicistas transformam o corte de relações decidido pelo Vaticano num ultimato – ultimato que lembrava 1891 e indignava o patriotismo republicano. O título seguinte d’ A Capital  é elucidativo.

Os republicanos consideravam o momento decisivo. A Capital do dia 14 de Janeiro de 1912,  contrariando os seus hábitos, publica na primeira página, ao alto, o cartaz seguinte, convocando para a manifestação anticlerical.  O grafismo é interessante pois mistura símbolos tradicionais com outros modernistas.

A manifestação anticlerical de 14 de Janeiro de 1912, apoiando os castigos que o governo infligira aos bispos, foi uma importante exibição de força, o que é demonstrado pela reportagem fotográfica de Benoliel na Ilustração Portuguesa. É o tantas vezes ignorado anticlericalismo lisboeta em todo o seu esplendor. A foto assinala a passagem dos manifestantes pelo Rossio. Ao fundo à direita vemos o palácio dos condes de Almada.

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