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O Estrangeiro Avança e a Lei da Separação Disfarça-se em Portugal

Abril 15, 2011

Com a data de 15 de abril de 1911, faz hoje precisamente cem anos, era acabada a impressão à ordem do Foreign Office em Londres (Ministério dos Negócios Estrangeiros) do  Memorandum to be followed in the Case of Claims upon the Properties lately occupied by Religious Associations in Portugal (Memorando a ser seguido no Caso das Reivindicações  das Propriedades Ultimamente Ocupadas pelas Associações Religiosas em Portugal). Já mencionámos o assunto nestes posts.

A burocracia britânica começava a mover-se contra certos excessos separatistas portugueses. Em geral, a imprensa portuguesa poupava aos seus leitores o trauma de lerem notícias sobre este género de temas. Curiosamente, porém, começava nesse mesmo dia a alertá-los sobre questões internacionais. A Capital consagrava o seu editorial «Portugal e o Estrangeiro» a esse assunto; nele referia as «manifestações de cortesia» que a República devia a Sir Edward Grey; tinha razão: Grey mantinha em segredo todos os seus actos desagradáveis a Lisboa.

Sempre no capítulo diplomático, A Capital  revelava que o Standard, de Londres, publicara palavas ao povo inglês do escritor Manuel Teixeira Gomes, novo ministro português nessa capital; entre elas estavam as seguintes:

Spencer cult author da burguesia republicana!!!  O médico António José de Almeida, o ministro do Interior do Governo Provisório,  terá rejubilado, pois o seu partido chamar-se-ia dentro de poucos meses Evolucionista, em homenagem a Spencer, mais científico do que o também positivista Auguste Comte. Terá António José lido esta local e pensado que o evolucionismo era querido ao povo inglês? A Capital  não era um jornal financeiro e por isso dispensava-se sem dificuldade de revelar se esta notícia, que aliás só em parte publicamos, onerara o tesouro público português.

Todas estas notícias falavam de Separação sem falarem em Separação. Queira o leitor atentar na caricatura seguinte:

O retratado era António José, que  A Capital como sempre apresentava  como um pobre homem em dificuldades. Porquê? As lutas sindicais contra o descanso semanal abrangiam todo o governo provisório e só o tocavam de raspão. A sua lei eleitoral fora um êxito, seria mantida sem problemas, e por certo o vespertino ainda não a teria compreendido na íntegra quando publicou a caricatura. Aqueles dois ataques não tinham base alguma.

Então… Era ainda Separação. António José queria a Separação sem Lei da Separação. Podia vetar a Lei. Para o evitar, era preciso enfraquecê-lo. Ora estava anunciada para 16 uma manifestação de apoio ao grande tribuno republicano. Talvez coincidisse com a discussão da lei pelo Governo. Os laicistas supunham que a mobilização se destinava a combater ao mesmo tempo os padres e a lei da separação. Sobretudo, a primeira página do jornal fora feita antes da segunda, na qual podia ser lida esta notícia, tranquilizadora para os partidários da Lei:

Ninguém previa que o processo de discussão da Lei da Separação se prolongasse até 30.

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