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Os Republicanos Temem que o Vaticano Abra o Conflito no Porto – e Contra-atacam

Abril 9, 2011

A Capital de há precisamentre cem anos, a 9 de abril de 1911, anunciava na sua página 2 que o cabido do Porto recusava as sugestões do Governo Provisório para escolher um novo bispo, em função dos desejos do Estado.

A notícia mostrava a bondade da República – o bispo demitido estava «bem disposto e resignado» – mas também a sua firmeza: mais um padre fora preso, agora nos Açores,  por ter feito serôdias referências à Pastoral Colectiva do episcopado.

Os republicanos receavam que o Vaticano abrisse a crise e impusesse um novo bispo. Era o que sugeria o trecho da “Poeira da Arcada”, uma rubrica d ‘ A Capital, que a seguir transcrevemos (apesar de ser de difícil legibilidade, é um documento interessante). A Arcada era uma zona da colunata do Terreiro do Paço onde as notícias oficiais eram transmitidas aos jornalistas.

O cruzador Adamastor fundeara no Porto mas isso não tranquilizava o novo regime no que à Igreja respeitava. Inquietos,  os republicanos contra-atacaram. Avisavam Mons. Masella, o encarregado da Nunciatura, que lhe vigiavam a correspondência mas que o deixavam livre, dentro de certos limites. O aviso tinha carambola para o Vaticano. A Capital transmitiu o recado governamental, numa local da primeira página, intitulada «Intrigas da Nunciatura».

O nome próprio está trocado: é Aloisio e não Alvise. Erro jornalístico? Mensagem cifrada para o Vaticano? Voltamos a mostrar a seguir o facies de Mons. Masella, que nesta foto tem mais uns sete anos do que à data das «intrigas».

Mas Lisboa deliciava-se com o comandante Marinha de Campos, que chegara na véspera recambiado de Cabo Verde, para onde o Governo Provisório  o nomeara governador e onde se zangara com todas as autoridades  locais; ao chegar à capital,  atribuíra a sua desgraça às intrigas de dois padres, além de «funcionários reaccionários e indisciplinados, de mistura com meia dúzia de criaturas sem categoria moral». Por certo, mas fora selectivo na nomeação dos seus adversários. Cherchez le prêtre. No caso, a Marinha impusera-se a Afonso Costa, que o protegia.

Marinha de Campos era um homem controverso; tinha a fama de ter vindo do franquismo; ajudara Afonso Costa a estatizar a prisão dos jesuítas, logo após o 5 de Outubro; e ninguém sabia ao certo o que fizera naquelas ilhas atlânticas.

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