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Abaixo poderá ler um novo post sobre Portugal há cem anos

Abril 8, 2011
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  1. Margarida Sérvulo Correia permalink
    Abril 8, 2011 2:13 pm

    “Grandeza e limites da tolerância republicana/ Grandeza e limites da tolerância clerical: Como se verá pelo fragmento da correspondência trocada entre os Padres José Manuel da Silveira Barradas e João Neves Correia, de Julho de 1911, o primeiro impacto da adesão ou não-adesão à Lei da Separação veio cavar entre “colegas” e amigos uma evidente incapacidade de diálogo e de entendimento.
    ” †

    Meu caro Padre Neves

    Évora, 13 de Julho de 1911

    Muito obrigado pelas tuas boas palavrinhas sobra a minha prisão. É verdade! Nestes tempos em que perfumadas auras de liberdade embalsamam a atmosfera do nosso país, tão digno de melhor sorte, uns cidadãos quaisquer – carbonários eles se chamam – prendem um outro cidadão, que tranquilamente se dirigia para casa às 10 h. da noite. Encarceram-no num calabouço, imundo, infecto, microscópico quase, sem ar nem luz, com uma tarimba, uma esteira e uma arca, inçado tudo de insectos e ali o têm três dias e três noites, sob a acusação de conspirador e com a conivência das autoridades. Depois de soltarem continuam ainda a vigiá-lo como pessoa perigosa. Tristes tempos nos deparou Deus para nosso castigo. O que lamento mais é que colegas como o Serrão, aliás inteligentes, não vejam onde tudo isto vai dar e andem de cama e pucarinho com essa gente. Imagina: o Serrão elogiado pelo Mundo! Se nele houvesse dignidade de homem, não digo de padre já, recolhia-se ao de Conrado prudente silêncio e, se quisesse esburgar o osso da pensão, que o roesse em silêncio, sem dar-se ao triste espectáculo de ser censurado pelos próprios seculares, como eu ouvi alguns, que nada têm de católicos. Tenho sincero dó dele porque, querendo ver, não sabe nortear-se pelas correntes modernas de ideias, nem vê dois palmos pelo futuro adiante. Julga que isso é a última palavra sobre Portugal. Lamento-o, repito, porque, sendo amigo dele, não o desejava ver ir no barril do lixo clerical. “

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