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A Separação Vai ao Teatro (Há Cem Anos)

Abril 3, 2011

Há cem anos dia por dia, A Capital anunciava ao alto da sua primeira página uma representação de homenagem ao actor Augusto Rosa, então com 59 anos.

A peça representada era «Rosas Bravas», um texto em verso, de Afonso Lopes Vieira, um dandy então com 33 anos que alguns anos depois iniciaria uma trajectória  do republicanismo ao tradicionalismo filocatólico. Vemo-lo a seguir, num desenho da época.

O vespertino republicano explicava que o herói da peça, Frei Rafael, protagonizado pelo próprio Augusto Rosa,  era um «simples símbolo de sentimento franciscano, por sinal que inimigo irreconciliável da ideia católica»; era fascinante e pouco frequente esta afirmação clara da oposição entre franciscanismo e catolicismo; o jornal prosseguia:  «o poeta que é Lopes Vieira» tem «o ideal de cristianismo como o prégou o próprio Cristo e portanto inteiramente diverso do que de há muitos séculos o vem representado a Igreja»; por isso, concluía,  é «uma peça de hoje», embora a sua acção decorra há sete séculos

A actualidade das «Rosas Bravas» derivava apenas da questão religiosa. Na primeira página, mas em baixo,  A Capital anunciava que tinha havido prisões na procissão dos Passos em Guimarães, devido à «intolerância dos católicos» mas  já estava tudo em liberdade – devido à tolerância republicana, pensava por certo o leitor do vespertino.

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