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A Separação Há Cem anos: Afonso Costa Homenageado no Coliseu, Alexandre Braga Promete Pensões aos Párocos

Abril 1, 2011

Faz hoje cem anos, foi realizada  no Coliseu da rua das Portas de Santo Antão a sessão promovida pela Associação do Registo Civil, comemorando a entrada em vigor do registo civil obrigatório. A Capital deu ao assunto título de primeira página – mas debaixo da caricatura de uma cançonetista francesa de passagem por Lisboa. Era sábado. A sessão foi  uma homenagem a Afonso Costa, autor do Código do registo civil, e um ataque à Igreja Católica. A vasta sala está cheia. Magalhães Lima afirma: «não se pode fazer a soberania do pensamento enquanto o povo estiver agrilhoado às convenções religiosas». Augusto José Vieira lê uma carta de Costa  explicando que não assiste à festa porque «necessita de todos os momentos para concluir a lei da separação da Igreja do Estado» a fim de que, ao reassumir a sua pasta, a 5 de Abril possa cumprir a promessa que há dias fez num comício. A leitura «provoca indescritível manifestação».   Costa estivera de férias sabáticas, a preparar o seu concurso para a Politécnica, como o leitor recorda. França Borges, um homem  do Livre Pensamento, que se declara «republicano revolucionário e radical»,  «presta alevantada homenagem» a Costa e diz que ele tem sido «caluniado e acusado», reconhecendo assim a campanha que já começara contra o autor do anúncio da extinção da religão em três gerações – mas não o dá por atingido. O coronel sr. José Maria Lopes aparece depois e recebe uma imponente manifestação ao Exército. «Um clamor enorme de bravos e palmas reboa durante minutos e milhares de lenços se agitam por toda a sala», escreve A Capital, cuja reportagem acompanhamos. O coronel condena «ironicamente as fórmulas velhas do abalado catolicismo» que «ainda vão resistindo aos golpes demolidores da democracia». A mobilização era grande mas o optimismo não excluía a antecipação de um combate com o catolicismo.

Na sua página 2, A Capital noticiava que Alexandre Braga discursara nesse dia na Associação Comercial do Porto e anunciara que seriam pagas pensões aos párocos  pois a atitude do Governo Provisório em relação a eles não era de «ataque».

Apesar da elevada mobilização, a paginação d’ A Capital valorizava mais a visita a Lisboa de Yvette Guilbert, para cantar no República (São Luiz). Guilbert, que fizera 46 anos em janeiro, revolucionara a canção francesa e dera a volta à pena do redactor d’ A Capital: «Yvette, rósea janela aberta para as bandas da Europa…». Já então Portugal nem sempre ficava na Europa. A seguir, o leitor vê a «janela europeia» num cartaz Belle époque.

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