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Afonso Costa: Portugal Terá Eliminado o Catolicismo em duas Gerações

Março 27, 2011

Afonso Costa recebe uma homenagem do comércio lisboeta, em Julho de 1911, no Hotel Royal, no Monte Estoril, menos de quatro meses depois de ter dito a famosa frase. É mais um extraordinário cliché de Benoliel; tem de singular que, excepto o miúdo ao centro, o cavalheiro à esquerda e sobretudo o próprio homenageado – todos olham fixamente para o passarinho. Estes olhares para campo e para fora de campo retiram todo o sentimento à ocasião e conferem-lhe um toque de filme de L. Buñuel. Vendo a foto, que não foi publicada na Ilustração Portuguesa, percebemos o culto da personalidade de Afonso Costa: os homenageantes e as homenageantes  sentiam-se elevados pela homenagem que prestavam.

27 de Março de 1911 foi uma segunda-feira. Dias antes, o Grémio Lusitano, a face profana do Grande Oriente Lusitano, promovera um encontro internacional sobre a separação do Estado e da Igreja. Afonso Costa, ministro da Justiça do Governo Provisório, interveiro, invocou a sua qualidade de maçon e afirmou, a conclui: «Está admiravelmente preparado o povo poruguês para receber esta lei; e a acção da medida será tão salutar que em duas gerações Portugal terá eliminado completamente o catolicismo que foi  a maior causa da desgraçada situação em que caiu».  A citação é da edição desse de 27 de Março d’ O Tempo, um jornal dirigido pelo advogado António Macieira, um amigo de Costa; o jornal também informa que Costa evocou a sua qualidade de maçon.

A frase foi interpretada como significando que Costa anunciava que, pela sua acção pessoal, destruiria a religião católica, no prazo referido. Terá sido o mais controverso sound byte do século passado. O Ministro da Justiça do Governo Provisório desmentiu a frase mas o desmentido não convenceu; teria sido por certo mais sensato se desmentisse a referida interpretação. Costa já andava nas bocas do mundo, devido à sua participação no mediatizado concurso para professor de Economia da Escola Politécnica, em competição com o católico Lino Neto.

O dia a dia da separação prosseguia. A imprensa de 27 anunciava que o Padre Avelino de Figueiredo fora mandado recolher ao Limoeiro, acusado de conspiração.

A Capital desse mesmo dia 27 anunciava, pela voz da primeira mulher deputada, que mulheres deputadas não destruiriam a família.

Os leitores receariam mesmo que a família fosse reforçada em excesso. A Capital apoiava o direito e voto, activo e passivo, das mulheres, que seria recusado pela maioria dos republicanos do 5 de Outubro.

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