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Lisboa, O Grande Actor da Separação entre o Estado e a Igreja

Março 20, 2011

A cidade de Lisboa foi um sujeito activo da Separação entre o Estado e a Igreja.  Que cidade era essa?

Era uma Lisboa mais próxima do Tejo e da vida fluvial do que no começo do século XXI. O mapa seguinte, de 1914, ilustra esta realidade.

As linhas negras no mapa são os caminhos de ferro; da esquerda para a direita: a linha de Cascais, junto ao rio; nela nasce a linha da cintura que cerca Lisboa e vai morrer no Beato; no Rossio, começam as linhas de Sintra e do Oeste; à direita,  de novo junto ao rio, o nascer da linha do norte. Dentro da linha de cintura, está um semi-círculo grosseiro: é a primeira circular então projectada (av. Calouste Gulbenkian, av. de Berna, Av. João XXI e av. Dr Afonso Costa).  O mapa evidencia a distribuição da massa edificada em Lisboa: a zona ribeirinha tem um peso grande e Lisboa está pouco «continentalizada», pois a norte, os edifícios terminam a meio das Avenidas Novas. Não existe a «Grande Lisboa».

Era frágil a Rotunda, depois Marquês do Pombral, que era a «dobradiça» entre a cidade antiga, que ia do rio ao «passeio público» (depois Av. da Liberdade) e a cidade nova. A foto a seguir, tirada da Rua Braancamp,  mostra-a em 1914, por ocasião de um desfile de forças expedicionárias na Primeira Guerra Mundial.

A Lisboa ribeirinha era um cidade portuária, industrial e ferroviária. O Arsenal da Marinha ficava na actual avenida Ribeira das Naus, entre o Terreiro do Paço e o Cais do Sodré, e era uma grande concentração operária.  A notícia seguinte, sobre o lançamento do destroyer Guadiana à água, seguinte dá uma ideia da dimensão daqueles estaleiros navais (IlustraçãoPortuguesa, 28 de Setembro de 1914).

O Exército tinha os seus arsenais na zona de Santa Apolónia e até à Feira da Ladra. Os ferroviários concentravam-se na zona ribeirinha.

O trabalho portuário não estava mecanizado e ocupava muita mão de obra. A fotografia seguinte, dá um aspecto do que era o porto de Lisboa durante o começo da  1ª República; ainda foi tirada no século XIX mas depois dos grandes trabalhos de modernização; representa o porto para o lado do largo dos Caminhos de Ferro e no chão vemos os carris da linha férrea privativa do porto, embora o transporte terrestre mais frequente seja a carroça. em primeiro plano, vemos uma fragata, um navio à vela usado para transportes fluviais. O Tejo, aliás, enxameia de pequenos navios. Noutras zonas de Lisboa, a exploração portuária já estava modernizada   (foto do Arquivo Municipal de Lisboa).

A Baixa lisboeta era o ponto de encontro entre o pessoal dos serviços, que estava concentrado na Baixa pombalina,  e o pessoal operário, da indústria e dos transportes. Aí lançou raízes, até à Primeira Guerra Mundial, uma interpretação laicista da Separação entre o Estado e a Igreja.

Mas em 1910 fora já lançada a base física que liquidaria esta Lisboa ribeirinha e revolucionária – dificultando-lhe também a concretização da sua dimensão marítima. A bela foto de Benoliel, que reproduzimos abaixo, mostra Santos e a sua envolvente: o aterro permitiu a construção do caminho de ferro e da 24 de Julho. Enquanto na foto anterior o rio penetra a cidade, na foto seguinte o rio foi afastado para muito longe.

Durante a 1ª República, Lisboa conservaria aquela dimensão ribeirinha, revolucionária, laicista. Seria o Estado Novo, ao realizar o plano sidonista de tranferir o Arsenal e Marinha para a Outra Banda, para o Alfeite, que daria o grande golpe naquela estrutura física e social.

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