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A Separação Há Cem Anos: Afonso Costa contra Lino Neto

Março 19, 2011

Há precisamente cem anos era domingo e chovia – sobre uma senhora esbelta e não sobre uma BBW (Big Beautiful Woman,  mulher grande e bonita, traduzindo as palavras da sigla em inglês); a BBW foi o modelo de beleza feminina que nos propuseram nos dias anteriores. A Capital, da qual extraímos o desenho, protestava contra o nosso clima, na legenda. Parece hoje.

Mas não chovia só sobre a tágide de negro vestida. Chovia também sobre a Separação. A «Poeira da Arcada», uma rubrica de comentário político e social d’A Capital, elogiava as medidas recentemente tomadas, que mandavam subordinar qualquer restrição do culto externo ao princípio da liberdade de consciência, por serem do «mais louvável espírito conciliador»; e pedia para delas se extraírem as «consequências lógicas»: se em Canas de Senhorim se autorizava uma procissão católica, em Faro e Olhão deviam ser autorizadas manifestações a Allah. O elogio não era sincero. E o argumento não era lógico: havia católicos em Canas mas haveria muçulmanos em Faro e Olhão?

A Separação povoava a primeira página do vespertino republicano. Em baixo, uma local informava que um grupo de conterrâneos do Prior do Socorro, João Ferreira da Silva, foi nesse dia 19 de Março entregar-lhe  uma mensagem de felicitações pela sua posição no «incidente da pastoral» – recusara obedecer ao Patriarca – e pelas suas convicções liberais.

Quantos seriam esses conterrâneos? O diário não informa.

Havia outro tópico ainda mais importante: Afonso Costa e o dirigente católico António Lino Neto enfrentavam-se num concurso público para o lugar de catedrático de Economia da Escola Politécnica que, durante aquele mês de Março, faria as delícias dos lisboetas. Os dois candidatos tinham mandado imprimir as suas lições e A Capital resumiu-as: o ministro da Justiça do Governo Provisório  dissertava sobre a emigração e o futuro dirigente do Centro Católico sobre o municipalismo. O debate prefigurava a pugna que então se desenhava entre o Estado e a Igreja – mas devemos salientar que Costa e Neto mantinham boas relações pessoais. Arquivamos o resumo das lições, a seguir.

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