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Os Bispos Vindos da Monarquia: de D. Sebastião de Vasconcelos a Vieira de Matos

Março 16, 2011

No dia 5 de Outubro de 1910, todos os bispos portugueses vinham da Monarquia – tinha que ser assim quase por definição. Todos aceitaram o novo regime, com excepção de D. Sebastião Leite de Vasconcelos, prelado de Beja; era um sacerdote do Porto e tinha promovido a protecção da infância desvalida, o que o elevara aos olhos dos republicanos da propaganda.

D. Sebastião  fora o único bispo residencial a sair de Portugal após o 5 de Outubro e tinha a reputação de ter atacado a República a partir do estrangeiro.  Esta acusação colocava-o para os republicanos num plano semelhante ao dos jesuítas.  Os padres Ançã tinham-no acusado de homossexualidade, em Beja,  e o caricaturista d’ A Capital, de 7 de Janeiro de 1912, aludiu ao tema, mascarando-o de sevilhana, pois estava então auto-exilado em Sevilha. O caricaturista reproduziu o rosto do prelado em termos realistas, como mostra a comparação com uma foto de 1912. Foi depois para o Vaticano, onde morreu, não sem antes ter dificultado as relações entre a Santa Sé  e a República. A caricatura vem a seguir.

D. Manuel Bastos Pina, o controverso bispo de Coimbra, era um típico prelado do antigo Regime; era amigo da Rainha D. Amélia, conflituara com a velha Faculdade de Teologia da Universidade, tinha fama de maçon, talvez por ser um liberal, e em 1910 já não era novo ; resignou em condições dramáticas. Vemo-lo a seguir numa foto da Ilustração Portuguesa.


D. António Barroso, o bispo do Porto, era outro prelado vindo da monarquia. Em breve voltaremos a falar dele.

O Padre Dr. Manuel Luís Coelho da Silva vinha da Monarquia como cónego, que era aliás uma posição de alguma substância no liberalismo monárquico; era deão da sé do Porto e, por escolha do cabido do Port, sucedeu a D. António Barroso, quando este foi expulso;  agiu com firmeza e diplomacia; foi depois bispo de Coimbra. Vemo-lo a seguir, numa foto da Ilustração Portuguesa.

Havia outros prelados vindos da Monarquia, mas estavam cansados e tiveram pouco destaque, com excepção de D. Augusto Eduardo Nunes, arcebispo de Évora, que desempenhou um papel destacado até ao sidonismo (vemo-lo na foto do livro que o cónego Senra Coelho lhe consagrou e no qual fez coexistir informações biográficas e obras escritas pelo biografado).

D. Augusto era um homem do século XIX. D. Manuel Vieira de Matos vinha da monarquia – era bispo de Guarda no 5 de Outubro – mas tinha a mentalidade de um homem do século XX; apoiou o Partido Nacionalista antes de 1910 e promoveu organizações modernas do catolicismo, como a imprensa. D. Manuel  era um ódio de estimação do Partido Democrático em geral e de Afonso Costa em particular; foi depois transferido para o arcebispado de Braga e a sua triunfal entrada na arquidiocese, documentada na imagem abaixo, teve lugar durante o Governo de Pimenta de Castro. Na foto, a Ilustração Portuguesa defende-o, numa óptica republicana conservadora.

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