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Rostos Católicos da Separação: Papas, Cardeais, Núncios

Março 13, 2011

Apresentamos a seguir os três Papas que coexistiram com a 1ª República: São Pio X, Bento XV e Pio XI.  Para cada pontificado,  introduziremos alguns dos principais responsáveis do Vaticano e Núncios Apostólicos na Lisboa republicana.

No 5 de Outubro de 1910, o Papa São Pio X dirigia a Igreja Católica e condenou a Lei da Separação, pouco tempo depois de ela ser aprovada. No final da Monarquia, tinha condenado a revista A Voz de Santo António, dos franciscanos de Braga, considerando-a modernista. A revista opunha-se ao Partido Nacionalista, apoiado pelos jesuítas. A medida foi controversa no catolicismo português. Giuseppe Sarto, filho de um pobre carteiro rural do norte de Itália e cardeal de Veneza, fora eleito Papa, com o título de Pio X, em 1903, na sequência do veto do Império austro-húngaro à eleição do Cardeal Rampolla, um nobre siciliano e próximo colaborador do falecido Papa Leão XIII, mais aberto às Repúblicas e às democracias parlamentares; por isso, os republicanos consideravam São Pio X reaccionário. Vemo-lo a seguir numa foto oficiosa.

Os republicanos consideravam  São Pio X pouco dotado intelectualmente. Dias depois da publicação da encíclica Iandudum in Lusitania, a 2 de Junho de 1911, condenatória da Lei da Separação, A Capital caricaturizou-o «falando aos peixinhos…»: enviara a encíclica ao mundo inteiro e ninguém lhe prestara atenção.



O Cardeal Rafael Merry del Vale era Secretário de Estado do Papa São Pio X e teve um papel decisivo na atitude da Igreja em Portugal face à República; era um espanhol de apenas 45 anos em 1910 e muitos viam nele a cabeça de uma conspiração «negra», engolfando o próprio Papa São Pio X; nos últimos anos, esta tese perdeu terreno na historiografia mais séria e Merry del Vale é apresentado como um fiel executante das orientações papais.

Após o 5 de Outubro, Mons. Aloísio Masella, que já era diplomata na Nunciatura  Apostólica em Lisboa, sucedeu a Mons. Giulio Tonti no cargo de Núncio efectivo. Nem São Pio X o retirou nem a República o hostilizou; mas desempenhou apenas funções espirituais, até 1918: assegurava os contactos do Vaticano com os católicos portugueses mas não estava acreditado junto do Governo da República; foi reservado e competente. O retrato seguinte é extraído da foto  de uma recepção, publicada na Ilustração Portuguesa em Julho daquele ano; Masella tem um olhar alerta e está a ganhar barriga, apesar da imprensa republicana continuar a fazer dele um «Belo Brummel», sugerindo subliminarmente que era um Dom Juan.

No Verão de 1914, começa a Primeira Guerra Mundial e morre o Papa São Pio X ao qual sucede Giacomo della Chiesa, filho de um nobre de Génova, que assume o nome de Bento XV; vemo-lo em baixo,  na foto de circunstância publicada pela Ilustração Portuguesa, de 12 de Outubro de 1914. O novo Sumo Pontífice vinha da escola de Leão XIII e tinha por isso a reputação de ser mais dialogante com as Repúblicas; a sua condenação da Primeira Guerra Mundial causou-lhe problemas difíceis com  a Entente que combatia os Impérios Centrais.

Bento XV era um homem notável e corajoso, que contribuíu para afirmar a Igreja Católica no plano internacional, mas parecia um intelectual frio e nunca suscitou na base católica a adesão emotiva que beneficiara São Pio X.

Os republicanos portugueses encaravam Bento XV com simpatia. Quando o Presidente Sidónio Pais nomeou o controverso capitão Feliciano Costa como primeiro representate diplomático português na Santa Sé , a moderada Ilustração Portuguesa, de 29 de Julho de 1918, publicou a seguinte e simpática peça, no seu suplemento  Século Cómico.

O Papa Bento XV nomeou Mons. Ragonesi, núncio apostólico em Madrid, para assinar uma concordata informal com Sidónio Pais, Presidente da República Portuguesa; vemos o diplomata vaticano, à saída do palácio de Belém, depois de ter negociado com Sidónio Pais a concordata informal entre a Santa Sé e Portugal, a partir da foto então publicada na Ilustração Portuguesa.

No Vaticano do Papa Bento XV, outras figuras desempenhavam um papel importante nas relações com a República Portuguesa. Comecemos pelo Cardeal Vanutelli: fora núncio em Portugal, no século XIX, e, regressado à cúria vaticana, conservou uma ligação com os assuntos portugueses; em Junho de 1910, foi-lhe pedido para ser medianeiro uma aproximação de Portugal à Santa Sé e em 1925 encontra-se em Roma, em circunstâncias dramáticas,  com o Rei destronado D. Manuel II. Vemo-lo numa fotografia publicada pela Ilustração Portuguesa, da época em que fora núncio em Lisboa.

Poucos reconhecerão no jovem magro e alto, cuja fotografia publicamos abaixo, um dos homens mais influentes e controversos do século XX.

É Eugénio Pacelli, o futuro Papa Pio XII, e então uma estrela emergente na burocracia da Santa Sé; tratou da Lei da Separação portuguesa e terá influenciado o episcopado lusitano da 1ª República numa determinada direcção.

Achille Ratti, oriundo de uma família da classe média baixa da Lombardia e diplomata vaticano,  sucedeu ao Papa Bento XV em 1923, tomando o nome de Pio XI;   logo anunciou que prosseguiria a anterior táctica papal em relação à República Portuguesa – mas, por comparação com o seu antecessor, parece tê-la flexibilizado. Vemo-lo numa foto oficiosa.

Em 1923, D. Sebastião Nicotra, arcebispo titular de Heracleia, substituiu Mons. Locatelli no cargo de Núncio Apostólico em Lisboa; veio de navio, como então era frequente. A Ilustração Portuguesa, 7 de Julho de 1923 publicou esta excelente fotografia, mostrando o novo núncio a conversar com o chefe do protocolo de Estado que, no começo desse ano, ajoelhara na imposição do barrete cardinalício ao antecessor de Nicotra. O destaque da notícia revela a importância que a opinião pública portuguesa então atribuía ao Núncio. Nicotra morrerá em posto em Lisboa, depois do 28 de Maio de 1926.

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