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Afonso Costa, Herói e Belzebu: o Rosto Imaginado da Lei da Separação

Março 10, 2011

Afonso Costa, o nome da Lei da Separação? A fotografia acima é a de Afonso Costa.  Se em 2011 a 1ª República tem um rosto humano, é por certo o do autor material da Lei da Separação, que aqui vemos, recém doutorado, de olhar a um tempo vago e determinado, sorrindo de um modo que tanto pode anunciar um sarcasmo como uma lamentação.

Sem pretendermos propor uma fotobiografia de Costa, apresentaremos algumas fotos dele, esperando que ajudem o leitor a compreender o personagem.

A foto acima é um dos raros instantâneos da imprensa portuguesa de 1910. O título da notícia é esclarecedor. Cumpre-nos apenas esclarecer que Vale do Rosal era «um coio jesuítico». A ausência deste esclarecimetno mostra como era poderosa a propaganda contra a Companhia de Jesus: A Capital sabia que os seus leitores conheciam os nomes dos paradeiros do seu inimigo principal, os jesuítas, e por isso nem o escrevia em título. Afonso Costa, ministro da Justiça do Governo Provisório,  está contente e, ao menos na aparência seguro: procede a uma acção anti-jesuítica. A imprensa republicana cobriu a sua acção preparatória da Lei da Separação. Nenhum outro ministro do Governo Provisório teve direito a que A Capital lhe desse esta fotocobertura.  A coluna da direita destaca a Associação do Registo Civil, que era então um dos aliados de Costa.

A seguir, o leitor verá …. uma escultura de  interior? Um bibelot estilo Império?

Em Março de 1911, em pleno conflito entre o ministro da Justiça do Governo Provisório e D. António Barroso, bispo do Porto, um grupo de comerciantes de Lisboa anunciou uma homenagem ao autor futuro da Lei da Separação e já autor do Códido do Registo Civil. A homenagem concretizou-se numa prenda: o tinteiro em prata da autoria do escultor João da Silva, acima representado. É uma escultura de sala simbólica, patriótica em geral e afonsista em particular.

O leitor acaba de examinar algumas concretizações de um culto da personalidade republicano, democrático, voluntário – mas culto da personalidade.

A ilustração seguinte , extraída de A Capital, de 17 de Dezembro de 1911, é bem diferente da anterior.

Afonso Costa é apresentado pelo diário republicano como o Diabo que, em baixo à direita na ilustração,  empurra para o Inferno a barca carregada de padres pensionistas.  A caricatura ridiculariza o modo como muitos católicos descreviam então o ministro da Justiça do Governo Provisório: era o diabo, em sentido literal. A chacota é uma indirecta homenagem à propaganda dessa grande parte do catolicismo que demonizava Afonso Costa – e, de modo indirecto, contribuía para o seu prestígio nos meios anticlericais.

Afonso Costa, seus amigos e seus inimigos, cada um deles por sua banda e em inconfessada confissão, confluiam para fazerem dele o herói da separação da Igreja e do Estado em Portugal, em 1911.

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