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A Separação do Estado e da Igreja – O Livro

Março 2, 2011

A Separação do Estado e da Igreja

Concórdia e Conflito entre a Primeira República e o Catolicismo

por Luís Salgado de Matos,

Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2011, 720 páginas

 

À venda em livrarias

 

O blog que está a ler é consagrado ao livro que lhe dá o título.

Esperamos melhorar o blog – e na segunda edição, graças aos comentários do leitor, esperamos escrever um livro ainda melhor

 

Hoje, começamos a publicar ilustrações sobre as relações entre o Estado e a Igreja durante a 1ª República, entre o 5 de Outubro de 1910 e o 28 de Maio de 1926.

As ilustrações foram escolhidas devido ao seu valor informativo. Procurámos imagens pouco conhecidas. Por isso, tivemos por vezes que sacrificar a qualidade visual.

 

O postal da propaganda republicana ataca as incursões monárquicas. Do lado de lá do rio Minho, na Galiza, em Espanha, estão os monárquicos; ao fundo,  vemos uma caricatura de Paiva Couceiro, o chefe militar operacional das invasões; está fardado.  Os dois padres, vestidos de negro, dão mais nas vistas. O povo parece mangar com eles e atrair um deles com dinheiro. Os republicanos apontam os sacerdotes e a Igreja Católica como venais e promotores das incursões. Armas não lhes faltam. Do lado de cá, em Portugal, a República, vestida de Mariana, vermelha, de sandália romana, observa-os com uma luneta e um velho marinheiro, aguarda tranquilo, como se estivesse seguro da vitória.

O postal anterior foi sugerido por Catarina Figueiredo Cardoso.  O seguinte também.

O novo sol que destrói a Monarquia e derruba o Rei, deita também por terra os almirantes e generais – assim como o sacerdote católico (postal de propaganda do início da República). O novo sol envolve a figura feminina da República e dos raios dele emergem os principais dirigentes republicanos.    A aliança entre a Igreja Católica e a Monarquia derrubada é um tema permanente da propaganda após o 5 de Outubro.

A imagem seguinte é a preto e branco. A bigoduda senhora «Lei da Separação» e o barrigudo senhor Igreja encostam-se um ao outro, pois ao contrário das aparências querem chegar a acordo, na caricatura d’ A Capital, de 3 de Junho de 1911. A senhora é Bernardino Machado, então ministro interino da Justiça, e o pároco é Santos Farinha, que uma semana antes se encontrara com Bernardino, numa última tentativa de acordo. Alguns republicanos mais laicistas interpretavam esta caricatura como um ataque a Afonso Costa, afastado do governo por doença.

 

A caricatura anterior dá-nos os traços de Bernardino, um personagem muito fotografado, e os do Pe Santos Farinha, menos conhecido. As imagens seguintes dão-nos o rosto de alguns actores secundários da separação. Começamos com o Núncio Apostólico em Lisboa, no fim da Monarquia, Mons. Giulio Tonti; a sua precipitada partida, logo  após o 5 de Outubro, foi interpretada como o reconhecimento que pela sua acção destruira as condições para exercer esse cargo; era um homem inteligente mas insensato. A foto é da Ilustração Portuguesa.

A fotografia seguinte é do Pe Dr. Forte de Carvalho; era prior colado de S. Nicolau; foi dos primeiros sacerdotes a aderir à República, foi pensionista e manteve-se obediente ao Patriarca. Vemo-lo numa fotografia de pouca qualidade  – mas pouco conhecida – ,  publicada pelos seus amigos republicanos d’ A Capital, a 3 de Fevereiro de 1911.



A ilustração seguinte é uma caricatura de António José de Almeida, mas tão realtista que substitui o retrato. Os republicanos laicistas atacam António José, como era familiarmente designado, quase desde o 5 de Outubro; fora ele o homem da ligação do Partido Republicano Português com a Carbonária na fase insurreccional, mas apesar disso apontam-no como um hesitante, certamente por preferir uma separação «à brasileira» e rejeitar a lógica do ataque à Igreja Católica, simbolizado pela «lei Combes». A excelente caricatura d’A Capital, de 10 de Janeiro de 1912, mostra-o sem saber para onde ir, ao contrário dos outros dirigentes republicanos.

Amanhã há mais posts.

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